Finalmente sabemos por que as jiboias não sufocam enquanto esmagam suas presas até a morte

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Créditos: Joe McDonald / The Image Bank / Getty Images.

Por Tessa Koumoundouros
Publicado na ScienceAlert

Poderosas caçadoras de emboscadas, as jiboias (Boa constrictor) são notórias por incapacitar brutalmente suas presas – apertando-as até a morte antes de engoli-las inteiras. Os pesquisadores acabaram de descobrir como as cobras conseguem fazer isso sem se sufocar.

Ao contrário da crença popular, esses répteis não venenosos na verdade matam suas vítimas interrompendo o fluxo sanguíneo para o coração e o cérebro, em vez de sufocar. Essa técnica – juntamente com mandíbulas super elásticas – permite que elas abatam presas relativamente grandes, incluindo javalis, macacos e jaguatiricas de suas habitats florestais na América Central e do Sul.

Mas as cobras não têm diafragma – a fina camada de músculos de mamíferos como nós que se contraem para mover o ar para dentro e para fora dos pulmões – então elas dependem inteiramente de seus músculos das costelas para respirar. Isso significa que quando esses músculos estão ocupados esmagando algo externamente ou espremendo comida através de seus corpos tubulares, as cobras também não podem puxar o ar.

No entanto, essas danadinhas noturnas aumentam o consumo de oxigênio em quase 7 vezes enquanto subjugam suas vítimas em comparação com as taxas de descanso, e até 17 vezes para digerir presas um quarto de seu próprio peso corporal. Como as jiboias conseguem espremer outro animal até a morte por até 45 minutos, mas ainda conseguem respirar, tem sido um mistério de longa data.

Pesquisadores liderados pelo biólogo evolutivo John Capano, da Universidade Brown (EUA), usaram medidores de pressão arterial para descobrir o que acontece quando diferentes partes desse macarrão vivo não peçonhento são comprimidas – o que parece uma tarefa arriscada.

“Ou os animais não se importaram em ficarem presos ou ficaram na defensiva e sibilaram para tentar fazer o pesquisador sair”, lembrou Capano, explicando que os répteis encheram os pulmões para sibilar, proporcionando à equipe a oportunidade perfeita para medir algumas respirações grandes.

Ao comprimir a corrente ao longo de diferentes pontos, a equipe pôde avaliar e reconstruir como as costelas da jiboia se moviam. Quando as costelas mais próximas da cabeça da cobra foram sufocadas pela corrente, as costelas mais próximas à cauda começaram a subir e descer.

Se a corrente agarrasse essas costelas mais traseiras, a parte frontal da cobra assumiria o movimento.

Assim, as jiboias podem alterar qual parte de sua caixa torácica está fazendo seus movimentos respiratórios – evitando sufocar quando seus músculos respiratórios padrão estão ocupados de outra forma.

Capano e colegas apelidaram essa habilidade recém-descoberta de ‘ventilação pulmonar modular’ e suspeitam que ela evoluiu antes que as cobras começassem a constringir suas presas.

Enquanto corpos longos e em forma de macarrão evoluíram pelo menos 65 vezes entre os animais com espinha dorsal, as cobras têm a diversidade mais impressionante de todos esses grupos, com quase 4.000 espécies conhecidas. Alguns pesquisadores sugeriram que a capacidade das cobras de abater uma grande vítima e engoli-la inteira pode ter sido o que deu a esses animais sua vantagem, permitindo que elas consumissem uma maior variedade de presas.

Capano e a equipe observam que a ventilação pulmonar modular teria sido uma característica fundamental na evolução das cobras: “Esta notável capacidade de subjugar e consumir presas tão grandes pode ter facilitado a entrada em novos nichos ecológicos”.

Esta pesquisa foi publicada no Journal of Experimental Biology.