SBF relembra físicos perseguidos pela ditadura militar de 1964

Publicado na Sociedade Brasileira de Física

Fazem 55 anos desde o golpe militar de 1964, que deu início ao período de 21 anos de ditadura no Brasil. Neste período, os brasileiros foram impedidos de votar e de expressar livremente suas opiniões. Jornais, revistas e artistas foram censurados, e só podiam expressar o que era permitido pelo governo. A tortura era amplamente praticada pelos órgãos de repressão. Centenas de opositores foram assassinados em dependências do Estado, muitos deles jovens e estudantes. Conhecer os momentos sombrios de nossa história é essencial para evitar que se repitam.

A ditadura atingiu também os físicos brasileiros. No ano do golpe, 1964, em São Paulo, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) foi invadida. Mario Schenberg, considerado um dos maiores físicos brasileiro, ficou preso por 50 dias, prisão essa que deslanchou uma série de protestos de cientistas em todo o mundo. Em abril de 1969, com base no AI-5, foram aposentados compulsoriamente 41 professores das universidades. Entre eles, os físicos Mario Schenberg, Elisa Esther Frota Pessoa, Jaime Tiomno, José Leite Lopes, Plínio Sussekind da Rocha, Sarah de Castro Barbosa. Na época, José Leite Lopes era presidente da SBF, em seu segundo mandato. O Boletim da SBF, de novembro de 1969, registrou os protestos internacionais contra as aposentadorias dos físicos brasileiros com manifestações de cerca de dez cientistas premiados com o Nobel, carta da Société Française de Physique e notícias das revistas Nature e Physics Today. Mas isso não demoveu as autoridades.

Defender o livre pensar é dever de toda sociedade científica, pois ele é a base de toda a ciência. A Sociedade Brasileira de Física não pode ficar alheia no momento em que surgem tentativas de reinterpretação do regime militar implantado pelo golpe de 1964, que ignoram os crimes praticados pelo Estado contra a população brasileira e minimizam a ausência de liberdade e democracia durante esse período no Brasil.

Dados mais detalhados dessa história podem ser encontrados aqui.

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