Como o Liverpool está usando a ciência de dados para dominar a Premier League

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O Liverpool forma um "bloco compacto" no centro do campo, no final da partida contra o Spurs. Crédito: YouTube.

Por Tibi Puiu
Publicado na ZME Science

Depois de vencer a final da Liga dos Campeões da UEFA no ano passado, a competição mais importante do futebol europeu, o Liverpool F.C. agora está dominando a Premier League, liderando a classificação desta temporada com 76 pontos. O Liverpool não perdeu um jogo dos 26 que disputou até agora e praticamente garante seu título, consolidando sua posição como o melhor time atual de futebol do mundo.

O que pode explicar o extraordinário sucesso do Liverpool? Não é segredo que o clube possui alguns dos melhores jogadores de futebol do mundo, mas eles definitivamente não estão sozinhos. Barcelona, Bayern ou Manchester City também têm uma batalhão de talentos incríveis à sua disposição.

O tempero secreto de Liverpool pode surpreender muitos: ciência de dados.

O Liverpool pontua contra o Everton F.C. com um longo passe em sua defesa.

Há algum tempo, o clube de futebol reúne dados extensos e agrupa os números para determinar quais jogadores estão mais aptos a ocupar uma certa posição tática durante certas partidas, visando também determinar qual é o melhor estilo de jogo.

O famoso técnico do clube, Jürgen Klopp, não está apenas flertando com a ideia de incorporar a ciência nas decisões de sua equipe – ele a está adotando. O time cunhou um nome pro seu novo estilo de jogar futebol usando a ciência como base: pitch control (controle de campo). O nome é autoexplicativo – trata-se de tomar as decisões corretas baseadas em dados, para que a equipe possa utilizar o campo aproveitando de todo o seu potencial.

Enquanto isso, por trás disso, há uma equipe inteira de pesquisadores e estatísticos analisando os números para que o Liverpool possa dar o melhor de si.

Por exemplo, Ian Graham, diretor da divisão de pesquisa do Fenway Sports Group (grupo proprietário do Liverpool F.C.), tem um PhD em física teórica e é responsável por avaliar jogadores e os dados de tendências esportivas. Michael Edwards, diretor esportivo do clube, é um ex-analista que já passou algum tempo em Portsmouth e Spurs. A equipe de ciência de dados do Liverpool também inclui Tim Waskett, um astrofísico, e Will Spearman, que tem doutorado em filosofia, que aparecem regularmente explicando publicamente o pitch control. O gráfico abaixo é frequentemente usado como exemplo.

Visualização do pitch control que captura as regiões do espaço controladas por determinados jogadores. O jogador circulado em amarelo tem a bola, sua equipe tem acesso a áreas do campo coloridas em azul, enquanto áreas coloridas em vermelho são controladas pela equipe adversária. A teoria do pitch control diz que o círculo amarelo deve passar a bola para um companheiro de equipe posicionado dentro da zona azul.

De acordo com a excelente equipe de analistas de dados do Liverpool, a equipe está combinando eventos de dados e dados de rastreio para analisar em tempo real como cada ação em campo afeta a probabilidade de marcar um gol. Este conceito é ilustrado no gráfico abaixo.

O pitch control processa constantemente os números para determinar quais áreas do campo são mais promissoras para marcar um gol.

“O time vermelho é o Liverpool e as áreas em vermelho são os lugares onde eles podem chegar mais cedo do que os jogadores em azul. Tudo se torna uma probabilidade de gol e esse valor, 1,3%, é a probabilidade de que um gol seja marcado com a bola nessa posição nos 15 segundos adiante”, explicou Waskett durante o evento recentemente realizado nas Conferências de Natal do Royal Institution.

Obviamente, Liverpool não é o único time de futebol a usar a ciência de dados. A maioria das equipes que competem no mesmo nível agora possui um departamento de ciência de dados, mas, considerando seu desempenho, os Reds parecem estar explorando novas tendências e dados melhor do que qualquer outro time.

O certo é que a maneira como o futebol está sendo jogado mudou drasticamente – e estamos vendo apenas a ponta do iceberg à medida que a tecnologia se torna cada vez mais incorporada ao esporte.