O maior asteroide a atingir a Terra era duas vezes maior que a rocha que matou os dinossauros

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Traduzido por Dominic Alburqueque
Original de Harry Baker para a Live Science

O maior asteroide a atingir a Terra, chocando-se com o planeta há 2 bilhões de anos, pode ter sido muito maior do que os cientistas acreditavam. Baseando-se no tamanho da cratera Vredefort, a enorme cicatriz do impacto deixada pela rocha gigante no que agora é a África do Sul, os pesquisadores estimaram recentemente que o asteroide poderia ter duas vezes o tamanho do que o aquele que dizimou os dinossauros.

A cratera Vredefort, localizada a 120 km de Joanesburgo, mede agora 159 km de diâmetro, sendo a segunda maior cratera visível do planeta. Contudo, é menor que a cratera Chicxulub, enterrada sob a península de Yucatán no México, que mede 180 km de diâmetro e foi deixada pelo asteroide que matou os dinossauros no final do período Cretáceo, há 66 milhões de anos.

Mas as crateras de impacto erodem lentamente ao longo do tempo, o que faz com que encolham. As estimativas mais recentes sugerem que a cratera Vredefort tinha originalmente entre 250 e 280 km no período que se formou, há 2 bilhões de anos. Assim, é considerada como a maior cratera de impacto na Terra, mesmo que seja menor que a Chicxulub nos dias atuais.

No passado, os cientistas acreditavam que a cratera Vredefort era bem menor, em torno de 172 km. Baseando-se nessa estimativa, os pesquisadores calcularam que o asteroide responsável pelo impacto teria tido 15 km de largura, colidindo a uma velocidade de 53,900 km/h.

Num novo estudo, porém, eles revisitaram as medidas da cratera, obtendo uma nova análise acerca do tamanho da rocha espacial que a originou. No estudo, publicado na Journal of Geophysical Research: Planets, os pesquisadores recalcularam o tamanho do asteroide Vredefort, descobrindo que a rocha provavelmente media entre 20 e 25 km de largura, e poderia ter viajado entre 72,000 e 90,000 km/h quando atingiu o nosso planeta.

Incerteza sobre o tamanho do asteroide e da cratera

No passado, os cientistas tiveram dificuldade em estimar o tamanho original da cratera Vredefort, devido à erosão pela qual passou ao longo dos últimos 2 bilhões de anos.

Além da erosão natural da estrutura do impacto, novas formações de rocha emergiram sobre partes da cratera, escrevem os pesquisadores. Como resultado, a maior parte da estrutura original da cratera foi coberta por novas rochas, e apenas pequenas seções da borda elevada da cratera são visíveis hoje, o que dificulta determinar o seu tamanho original.

Contudo, outros estudos estimaram o tamanho da cratera ao focar nos minerais ao seu redor. Ao fazer isso, eles encontraram deformações e fraturas de choque em cristais, como quartzo e zircão, causadas pelo impacto, o que expande o raio de alcance conhecido da explosão.

Como resultado, os pesquisadores estão confiantes de que a nova estimativa para o tamanho do asteroide Vredefort é mais preciso do que estimativas feitas anteriormente.

Um impacto cataclísmico

Quando o asteroide que dizimou os dinossauros atingiu a Terra, a destruição causada pelo impacto foi imensa. Ele tinha 12 km de largura. Esse evento, ocorrido ao final do período Cretáceo, disseminou grandes incêndios e chuva ácida, gerou ondas imensas num tsunami que atingiu metade do planeta, e enviou cinzas e pó na atmosfera, alterando o clima de forma drástica.

Cerca de 75% da vida na Terra foi devastada pelo evento, de acordo com um estudo da Scientific Reports.

Baseando-se nos cálculos revisados do tamanho original da cratera Vredefort, o novo estudo sugere que o asteroide Vredefort tinha o dobro do tamanho do asteroide que extinguiu os dinossauros. Ele também teria sido muito mais veloz, o que tornaria o impacto ainda mais severo.

Contudo, como o evento ocorreu há muito tempo, há escassas evidências dos seus efeitos e consequências após a colisão com o planeta.

Miki Nakamija, coautora do estudo e cientista planetária da Universidade de Rochester em Nova York, o “impacto Vredefort não deixou um registro de extinção em massa ou incêndios florestais, pois só havia formas de vida unicelulares, e nenhuma árvore existia há 2 bilhões de anos”. Ainda assim, “o impacto teria afetado o clima global potencialmente de maneira mais extensa do que o impacto Chicxulub fez”.

Assim, estudar a cratera Vredefort poderia ser a única forma dos pesquisadores entenderem melhor esse impacto cataclísmico ocorrido há 2 bilhões de anos atrás.