O que são drogas, afinal?

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Drogas, ou ainda Substâncias Psicoativas (SPAs), são substâncias químicas que interagem com o cérebro de forma a causar-lhe modificações funcionais.

O ser humano sempre buscou conhecer esses efeitos, desde quando começou a explorar a natureza e a produzir agricultura. Grande parte dos psicoativos advém de plantas e fungos, tanto naturalmente quando modificados, podendo também serem inteiramente sintetizados. Podem agir como fármacos (de forma terapêutica) ou tóxicos (como os vários venenos). Existem drogas que não agem no Sistema Nervoso Central (SNC) diretamente, mas aqui neste caso estou falando das que interagem com o SNC e lhe causam alterações de funcionamento.

Existem algumas formas de classificar as drogas. Tais classificações podem levar em conta parâmetros legais, farmacológicos e comportamentais.

Drogas podem ser lícitas (admitidas pela lei, tendo tanto o seu processo de produção quanto seu comércio e consumo aceitos) ou ilícitas (proibidas pela lei e com sérias restrições, da produção até o consumidor final). Atualmente, no Brasil, existe a Lei 11.343/2006, que regulamenta através do Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (o SISNAD) e orienta sobre a produção, o comércio e o consumo de drogas.

Também podem ser classificadas em estimulantes (aumentam a atividade do SNC e causam alterações de forma a excitar o indivíduo e causar lhe agitação psicomotora, euforia, taquicardia, insônia, irritabilidade, dentre outros efeitos); depressoras (diminuem a atividade do SNC e causam alterações de forma a reduzir as ações do indivíduo, provocando sono, cansaço, letargia, diminuição das ações motoras, dentre outros efeitos); e, perturbadoras (provocam alterações de percepção sensorial, como alucinações, e distanciamento da realidade, como delírios). Outras classificações igualmente válidas e didáticas podem ser encontradas.

Exemplos de estimulantes: cafeína, nicotina, cocaína (todas as três são exemplos de alcaloides, substâncias alcalinas retiradas de plantas), crack (cloridrato de cocaína puro, ressecado e cristalizado, feito com a adição de bicarbonato de sódio e água, podendo incluir solventes químicos e industriais, além de outras impurezas).

Exemplos de depressoras: álcool, benzodiazepínicos (chamados de “calmantes”, como é o caso do diazepam e do clonazepam), derivados opioides (morfina é um exemplo), inalantes (éter, clorofórmio, cola de sapateiro).

Exemplos de perturbadoras: maconha (gênero Cannabis), LSD (dietilamida do ácido lisérgico, sintetizada com base no fungo Claviceps purpurea, o ergot), psilocibina (retirada do fungo Psilocybe), metilenodioximetanfetamina (MDMA, conhecida como ecstasy).

Drogas sempre existiram, sempre foram produzidas e utilizadas. Cabe ao ser humano, racionalmente, saber os prejuízos que estas podem causar e entender que a dependência química, é uma doença ocasionada pela perda do controle do consumo de drogas. Procure ajuda de um profissional da saúde que seja capacitado para dar orientações e que possa dar assistência a um caso como esse. Evite a automedicação, pois remédios comuns também são drogas e podem causar dependência, além de complicações clínicas e morte.

Referências:

1) BERTOLOTE, J. M. (Trad.). Glossário de Álcool e Drogas. SENAD, 2004.

2) MINISTÉRIO DA JUSTIÇA. Tratamento da Dependência de Crack, Álcool e outras drogas: aperfeiçoamento para profissionais de saúde e assistência social. Brasília: SENAD, 2012.

3) SEIBEL, S. D. (E.). Dependência de Drogas. 2.ed. São Paulo: Atheneu, 2010.

Indico o site Álcool e Drogas Sem Distorção, do Hospital Israelita Albert Einstein.

Veja também a Lei 11.343 de 23 de agosto de 2006.

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