O ser e seus múltiplos modos em Aristóteles

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Considerações iniciais

Qual é o sentido de “ser”? O que queremos dizer quando utilizamos essa palavra para um conjunto de coisas, mas não para outro? Por que algumas coisas parecem ter mais “ser” do que outras? Por que as coisas parecem ter, entre si, modos distintos de ser? Todas essas perguntas foram feitas de diversos modos pelos filósofos mais importantes da antiguidade. Nessa época, o “ser” despertou mais curiosidade do que em qualquer outro momento da história da filosofia.

Todas essas questões possuem uma certa áurea de transcendência, porque a palavra “ser” é muito nebulosa quando a tomamos isoladamente. No entanto, isso não nos impede de utilizarmos o “ser” enquanto verbo o tempo inteiro na hora de descrever o mundo. O ser humano é um animal. A filosofia é difícil. A cor é verde. A Europa é fria. A mulher é linda. Sócrates é humano. Em todos esses exemplos, ressaltam-se três entidades: um sujeito, um predicativo do sujeito (vamos chamá-lo de “predicado”) e um verbo (“ser”) que liga o sujeito ao predicado.

Poderíamos nos perguntar que tipo de “ligação” é essa que o ser exerce. Segundo Aristóteles, o ponto é que não haveria só um tipo de “ligação”: o ser se diria de múltiplos modos (cf. 2001, 1028a). Vejamos, pois, um apanhado geral de como Aristóteles desenvolve essas questões em sua Metafísica, Física e – sobretudo – na obra Categorias[1].

Os contrários e o substrato

Na visão de um grupo de filósofos antigos, a questão do ser estava relacionada a uma guerra entre contrários[2]. A Europa, por exemplo, é fria. Para que ela se torne quente, o frio deve “perder a guerra” para o quente. E, para que se torne fria de novo, o quente deve “perder a guerra” para o frio. Esses ciclos e lutas entre contrários constituiriam a natureza do mundo, o movimento e a organização de todo o cosmos.

Aristóteles achava que essa ideia era interessante, mas que precisava ser aperfeiçoada. Não existe contrário para, por exemplo, “Sócrates” do mesmo jeito que existe contrário para “quente” (cf. 2014, 3b25). O contrário de quente é o frio. Mas qual seria o contrário de Sócrates? Seria o “não-Sócrates”? Tudo bem que Sócrates pode não existir ou existir. Entretanto, ou Sócrates existe ou não existe. Não existe um meio-termo da existência. Não é possível que Sócrates “exista mais” ou que “exista menos”. É diferente do quente e do frio, já que as coisas podem ser menos quentes ou mais quentes, menos frias ou mais frias. O belo, o branco e o quente admitem níveis de intensidade (cf. 2014, 4a1). Nesse sentido, um certo humano como Sócrates pode estar mais belo, mais quente e mais branco, mas isso em nada afeta o quanto ele é humano (cf. 2014, 4a5).

Com um pouco de esforço, Aristóteles perceberá que é necessário um “lugar” no qual os contrários ocorram, ou seja, que devem existir suportes de contrários. Em filosofia, chamamos esse suporte de “substrato”. Por hora, digamos que esse substrato é a substância, e que essa substância é um composto de matéria e de forma. Sócrates, por exemplo, é uma substância. Ele possui matéria – ossos, carne, sangue – e uma forma – sua “alma” (cf. REALE, Metafísica vol. I: Ensaio introdutório, 2001, p. 53). Existe uma longuíssima divagação aristotélica sobre a disputa entre matéria e forma pelo posto de substrato. Mas, aqui, vamos apenas aceitar a conclusão de que o substrato é a substância que, por sua vez, é um composto de matéria e de forma.

Essa substância, embora não “tenha” contrários, recebe contrários (cf. 2014, 4a10). Ao ver de Aristóteles, apenas a substância – una, individual e idêntica a si mesma – é aquilo que é capaz de receber contrários (cf. 2014, 4a15-20). Portanto, podemos entender, sobre aquilo que “vem a ser”, o seguinte: aquilo que vem a ser, vem a ser em função de uma substância que está subjacente (cf. 2009, 190a13-21). Esse “vem a ser” é um tipo específico de mudança do ser, que é a mudança relativa aos contrários.

Em outras palavras, Sócrates pode ser velho ou jovem, frio ou quente, alto ou baixo. Ele é aquilo que subjaz, é o suporte dessas mudanças, o palco da guerra entre os contrários e aquilo que permanece independentemente de qual dos lados ganha. Em linguagem filosófica, ele é o “substrato”.

Além disso, não conseguimos conceber o “velho”, o “jovem”, o “alto”, “o baixo” e o “belo” sem estarem relacionados a algo uno e individual como Sócrates. Esse tipo de predicação é parasitária, precisa de uma substância para existir, não consegue existir sozinha. Logo, as substâncias – dentre as quais se inclui Sócrates – atuam como condição de possibilidade da existência dos contrários. Sem uma substância como suporte ou substrato, os contrários nada podem ser. (cf. 2001, 1028a1-30)

Em outras palavras, ao dizer que vimos “um jovem andando por aí”, não estamos falando que o predicado “jovem” saiu andando por aí. Esse “jovem” é característica de, por exemplo, um certo humano que saiu andando por aí. O “jovem” precisa estar, digamos, “parasitando” um certo humano para existir. Nesse caso, o predicado (como um parasita) não sobrevive sem um sujeito (hospedeiro). De modo geral, essa é a ideia por trás do conceito de “substrato”, sendo o conceito de “substância” apenas uma especificação mais detalhada desse tal “substrato”.

A substância

Nesse ponto, já compreendemos que a substância “Sócrates” é um suporte específico de predicados que lutam para prevalecer nesse lugar chamado “Sócrates”. Contudo, o que Aristóteles percebeu é que nem todos os predicados possuem contrários. Quando eu digo que “Sócrates é animal” ou que “Sócrates é humano”, não encontro contrários para os predicados. Qual seria o contrário de “animal”? E o de “humano”? Além disso, se Sócrates deixasse de ser animal e de ser humano, por que então nós o chamaríamos de Sócrates? Parece que animal e humano são, não só predicações de Sócrates, mas também definições (cf. 2014, 2a25-30).

É claro que nós dizemos “Sócrates é humano” e “Sócrates é velho” com a mesma estrutura linguística, mas esse “é” parece ter uma espécie de “força maior” na primeira sentença. Embora o modo com o qual dizemos as sentenças seja um bom ponto de partida para a investigação filosófica, Aristóteles sabe que a linguagem não é perfeita, que ela precisa de aperfeiçoamentos. Para contornar as imperfeições da linguagem comum, a sua noção de “substância” também ganha uma outra elaboração em sua filosofia.

Até aqui, falamos de substância apenas como algo individual, uno e idêntico a si mesmo que serviria de suporte – ou substrato – para mudanças. Acatando o conceito dessa forma, “um certo humano” como “Sócrates” seria um bom exemplo de substância. Entretanto, ao ampliar essa noção, Aristóteles assevera que existem dois tipos de substância: a primeira e a segunda.

A substância primeira é aquela que é substância em sentido mais próprio. Aristóteles exemplifica “um certo humano” e “um certo cavalo” como substâncias primeiras (cf. 2014, 2a10). Como exemplo de “um certo cavalo” podemos destacar Bucéfalo; e como de “um certo de humano”, já destacamos Sócrates. Nesse sentido, dizer “Sócrates é humano” é como dizer “um certo humano é humano”.

Na frase “Sócrates é humano”, “Sócrates” é uma substância primeira e “humano”, uma substância segunda. Se não soubéssemos nada sobre Sócrates e nos dissessem que ele é humano, já sairíamos do patamar do nada saber. Nesse sentido, ao conhecer as substâncias segundas, que são universais, acabamos conhecendo as substâncias primeiras, que são particulares.

De fato, a informação de que Sócrates é um humano pode não ser muito útil para, por exemplo, encontrá-lo. Ainda assim, devemos reconhecer que ela traz consigo um conhecimento. Saber que Sócrates é humano é saber que ele não é cavalo e que, portanto, não é Bucéfalo e que, tampouco, é uma pedra. Do mesmo modo, é saber que Sócrates e Aristóteles possuem características em comum. Se antes não tínhamos nenhuma informação sobre Sócrates, agora temos pelo menos essas.

As substâncias segundas são espécies das primeiras e também gêneros delas. Isso significa que podemos dizer tanto “Sócrates é humano” quanto “Sócrates é animal”. Nesse caso, “humano” é espécie e “animal” é gênero, e ambos são substâncias segundas. A principal diferença entre a substância primeira (Sócrates) e a substância segunda (humano e animal) é a de que Sócrates é um indivíduo (material e uno), já “humano” e “animal” não são indivíduos. Essa “substância segunda” não pertence a um só indivíduo. Afinal, Aristóteles também é um humano. A substância segunda existe porque diversos indivíduos compartilham esse “ser humano” ou, digamos, essa “humanidade”. A substância segunda parece possuir, então, um tipo de existência “coletiva”. (cf. 2014, 2b10-15)

Um ponto importante de ser ressaltado é o da diferença entre o “ser” dos tipos de substâncias. Ao ver de Aristóteles, “espécie” é mais substância (mais “ser”) do que gênero, porque é mais informativa (cf. 2014, 2b5-10). Quando afirmo “Sócrates é humano”, o ouvinte não só sabe que Sócrates é humano como também sabe que Sócrates é animal. Já está contida na afirmação sobre a espécie a informação sobre o gênero, porque toda espécie já pressupõe um gênero. Por isso é “logicamente” possível dizer “humano é animal”, mas “animal é humano” não (cf. 2014, 2b15-20). Caso contrário, poderíamos pensar: “se animal é humano, e cavalo é animal, então cavalo é humano”.

Por conseguinte, a substância primeira é mais substância que todas as outras. E, dentre as substâncias segundas, espécie é mais substância do que o gênero. Parece haver, então, uma verticalidade, uma hierarquia entre as substâncias em função da informatividade que trazem. Por isso, Sócrates é mais substância (ou “é mais ser”) do que humano e humano é mais substância do que animal. Por outro lado, ao mesmo tempo, existe uma horizontalidade substancial: Sócrates não é mais humano que Aristóteles e “humano” não é mais animal do que “cavalo”. (cf. 2014, 2b20)

As categorias

Sem dúvida, já podemos contemplar até esse ponto que o ser precisa de um lugar para se manifestar, de um substrato (ou suporte) em que possa exercer suas múltiplas facetas. A substância primeira, então, pareceu ser um bom lugar para isso. Nesse palco, que é a substância primeira, atores surgem, desaparecem, mas alguns permanecem em cena enquanto o palco existe. Essa imagem da relação entre o palco e os atores em suas performances, conflitos e atuações seria uma boa metáfora para nos responder a pergunta sobre o sentido de ser em Aristóteles? Na verdade, a resposta mais completa para essa questão ainda não foi abordada nesse artigo, e está na descrição aristotélica das categorias.

Podemos pensar “categoria” da mesma maneira com a qual estávamos pensando em “predicação” anteriormente. Até aqui, “categoria” pôde significar duas coisas: substâncias segundas (humano, animal, cavalo) e as predicações que possuíam contrários (velho, jovem, frio, quente). Entretanto, existem categorias que não são substâncias segundas, não possuem contrários e que, mesmo assim, são predicações possíveis. Não conseguimos pensar, por exemplo, no contrário de “170 centímetros”, mas também sabemos que essa categorização não é nem de espécie e nem de gênero (cf. 2014, 3b25).

Para dar conta de todas as predicações válidas, Aristóteles as divide em dez categorias (cf. 2014, 1b10-2a10). Entretanto, antes de listá-las, é necessário compreender que todas as outras categorias existem porque a categoria de substância atuou como condição de possibilidade de suas existências (cf. 2001, 1028a 30). Em outras palavras, é necessário que exista a substância primeira como substrato ou suporte das categorias. Por isso, retomando o exemplo aristotélico, tomarei “Sócrates” como suporte das categorias, como a substância primeira que será categorizada.

1. A categoria de substância, como já vimos insistentemente, pode ser uma espécie. “Humano”, pois, é um tipo de substância relativa a Sócrates.

2. Para pensar na categoria de quantidade, podemos dizer que Sócrates está com 170 cm de altura ou, ainda, que está pesando 80 quilos.

3. A categoria de qualidade pode retomar exemplos que já utilizamos, como o de que Sócrates é branco e belo. Entretanto, uma qualidade conhecida de Sócrates é a de que ele era feio. Podemos também citar que ele era filósofo como um tipo de qualidade.

4. A categoria de relação trabalha com comparação. Por exemplo, Sócrates está menor do que Platão, está pesando o dobro de 40 quilos, e metade de 160 quilos.

5. A categoria de lugar é simples. Podemos afirmar que “Sócrates está no Tribunal”, “na praça”, “em sua casa” ou que “está no Reino do Hades”.

6. Para a categoria de momento, podemos destacar que “Sócrates filosofou em 398 a.C.”.

7. A categoria de posição se relaciona à localização de uma maneira distinta da de lugar. Por exemplo, “Sócrates está sentado” e “Sócrates está deitado”.

8. A categoria de ter não é tão intuitiva, mas parece fazer sentido diferi-la das outras. Podemos citar como exemplos dela “Sócrates está armado” e “Sócrates está calçado”.

9. A categoria de fazer é um pouco mais complicada. Sócrates está, por exemplo, “fazendo filosofia”, “cortando grama”. Entretanto, essa categoria parece ter mais a ver com a construção da frase do que com o que ocorre de fato. Afinal, poderíamos descrever que “a filosofia está sendo feita por Sócrates” ou que “a grama está sendo cortada por Sócrates”.

10. A categoria de sofrer, ao contrário da de fazer, se liga a sofrer uma ação, e não a praticá-la. Por exemplo: “Sócrates foi assassinado” e “Sócrates está cortado”.

Em português, nós possuímos as palavras “ser” e “estar”, que não existem em grego. Nesse sentido, pelo menos as nove últimas categorias conseguem se adequar ao verbo “estar” enquanto que a primeira está mais adequada ao verbo “ser”. Por isso, Sócrates “é” humano, mas “está” jovem. Poderíamos dizer, é claro, que ele “é” jovem, mas utilizar o “estar” indica melhor que “jovem” é uma circunstância transitória. Afinal, um dia ele vai ficar velho. Essa distinção no português não é perfeita para a metafísica aristotélica[3], mas é um bom ponto de partida para entendê-la. Vejamos o que a diferença entre “ser” e “estar” nos indica a seguir.

Acidente e essência

Essa distinção entre “ser” e “estar” se deve ao fato de a primeira categoria (substância segunda) ser definidora do que é o indivíduo (substância primeira). Se Sócrates não for humano, não é mais Sócrates, porque ser “humano” é a condição de possibilidade de sua existência enquanto Sócrates. Em contrapartida, as nove categorias seguintes não definem nada, elas apenas descrevem estados e circunstâncias que podem, em certo sentido, ocorrer ou não ao indivíduo Sócrates sem que ele deixe de ser igual a si mesmo. (cf. 2014, 2a25-2b1)

Poderíamos, ainda assim, perguntar a Aristóteles: o que seria Sócrates sem que ele possuísse algum tipo de altura? E se não pudéssemos dizer que ele é maior ou menor que algo? Se fosse assim, como ainda poderíamos dizer que ele existe? Uma questão ainda mais difícil: como Sócrates poderia estar em nenhum lugar?

Ocorre que Aristóteles não está propondo que as nove categorias são desnecessárias. Elas apenas possuem uma relação diferente com o indivíduo. Sócrates já foi jovem e, depois, velho. Nos dois casos, era o mesmo Sócrates. Essas nove categorias funcionam como se fossem adereços do indivíduo. Entretanto, não são adereços que você pode retirar sem colocar – instantaneamente – outro em seu lugar. Ao mesmo tempo em que Sócrates deixa de estar jovem, o velho vai se acomodando.

Esse tipo de adereço relativo as nove últimas categorias é acidental, porque não define Sócrates enquanto Sócrates. Logo, é diferente do predicado de humano relativo a primeira categoria. Se humano fosse um adereço, seria condição de possibilidade da existência de Sócrates; isto é, um adereço essencial – ou definidor – que não poderia ser substituído por outro sem que isso findasse a existência do filósofo de Atenas. Se Sócrates se tornasse cavalo, seria o mesmo que não ser mais Sócrates. (cf. 2014, 2a25-2b1)

Considerações finais

Diante disso, fica claro não só que “o ser se diz de múltiplas formas” (cf. 2001, 1028a), mas que o ser se diz – especificamente – de dez formas distintas. Sem dúvida, há um substrato para o ser, que é uma substância primeira una, particular e individual como, por exemplo, Sócrates. Nessa substância, existe uma guerra entre características contrárias e também entre características que são apenas distintas entre si. Além dessas características, existem as predicações essenciais, que estão inseridas no grupo da substância segunda, sem as quais a substância primeira deixa de existir. Em suma, constata-se que Sócrates pode estar “com 170 cm de altura”, “feio”, “menor que Platão”, “no Reino do Hades”, “filosofando em 398 a.C.”, “sentado”, “armado” e “cortado”, mas que é “animal” e “humano” até que deixe de ser “Sócrates”.

Notas

[1] Embora Categorias seja uma das obras mais lidas de Aristóteles, atualmente questionam se ela é mesmo de Aristóteles. Enquanto que uns defendem que ela foi escrita por alguém tentando se passar por Aristóteles, outros argumentam que o autor é o Aristóteles jovem escrevendo suas ideias ainda em desenvolvimento. Em todo caso, optarei pela segunda posição, e tomarei o âmago de Categorias como cerne da resposta de Aristóteles para a pergunta sobre o sentido de ser. Farei isso: I) porque a resposta do Aristóteles maduro pode ser lida como razoavelmente compatível com a do Aristóteles jovem – embora o maduro negue claramente o gênero como substância segunda, por exemplo; diferentemente do jovem –; e II) porque a posição do Aristóteles maduro é muito mais complexa, truncada, difícil de ser interpretada e ainda mais difícil de ser resumida, além não ser conhecida como posição “oficial” de Aristóteles sobre o ser.

[2] Coloquei em negrito a primeira aparição de todos os termos mais importantes e clássicos nesse âmbito da filosofia de Aristóteles – com exceção da palavra “substância”, já que ela aparece como substrato no início e como categoria no final.

[3] No dia a dia, nós diríamos “Sócrates é filósofo”, e não “Sócrates está filósofo”. Mas “filósofo” faz parte da categoria de qualidade, então não é uma condição definidora, é transitória. Essa é uma exceção em que a distinção entre “ser” e “estar” não funciona. A distinção parece funcionar melhor para frases como “Sócrates está triste”, “Sócrates está lendo” e “Sócrates está cansado”. Em todo caso, a linguagem é apenas um ponto de partida para a investigação filosófica. Ela não é infalível.

Bibliografia

ARISTÓTELES. Metafísica. In: REALE, Giovanni. Metafísica II: Texto grego com tradução ao lado. Trad. Marcelo Perine. Rev. Marcelo Perine. São Paulo: Edições Loyola, 2001.

ARISTÓTELES. Categorias. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 2014.

ARISTÓTELES. Física I-II. Campinas: Editora da Unicamp, 2009.

CORDERO, Néstor Luis. A Invenção da Filosofia. São Paulo: Odysseus Editora, 2011. pp. 182-197.

REALE, Giovanni. Metafísica vol. I: Ensaio introdutório. Trad. Marcelo Perine. Rev. Marcelo Perine. São Paulo: Edições Loyola, 2001.

REALE, Giovanni. Metafísica vol. III: Sumários e Comentário. Trad. Marcelo Perine. Rev. Marcelo Perine. São Paulo: Loyola, 2001.

Resumo: O artigo visa elucidar, com linguagem simples e didática, a resposta aristotélica quanto a quais são os possíveis sentidos de ser. Funda-se, assim, nos conceitos que Aristóteles desenvolve em sua Metafísica, Física e, sobretudo, na obra Categorias. O ponto de vista de que o ser se resume a uma luta entre contrários é criticado a partir da visão Aristotélica de que há um substrato – ou suporte – dos contrários. Esse substrato é entendido como substância, que é uma entidade composta – a princípio – de forma e de matéria. Desenvolvendo-se o conceito de substância, é notado que existem dois tipos: a primeira – individual, particular e una – e a segunda – universal e coletiva. Nesse sentido, a substância primeira é colocada como aquilo que admite dez categorias distintas dentre as quais se inclui a substância segunda, mas também as categorias: quantidade, qualidade, relação, lugar, momento, posição, ter, fazer e sofrer. Diferindo-se todas as dez categorias, é estabelecido que a de substância é essencial e definidora do indivíduo, enquanto que as outras nove são acidentais. Por fim, é constatado que tais categorias seriam os dez modos – aceitáveis – de ser segundo Aristóteles.

Palavras-chave: Ser; Substância; Categorias; Aristóteles.