O universo da Literatura Cinzenta

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A Literatura Cinzenta é aquela que circula fora dos meios comerciais ou acadêmicos formais, em oposição à chamada Literatura Branca. A Ciência da Informação possui um ramo de estudo emergente desse tipo de literatura e estima que entre cientistas, por exemplo, 90% da informação que circula entre os pares estejam contida na forma de Literatura Cinzenta.

Ela possui uma característica ambígua entre o temporário e a durabilidade, e apresenta um impacto crescente como fonte de informação preciosa para o pesquisador.

Ela se caracteriza por ter um alcance curto e restrito, difícil de ser descoberta ou encontrada, no entanto seu volume é tão grande que entre pontos próximos, quase toda totalidade de informação que os profissionais e estudiosos necessitam se enquadram neste conceito.

Este tipo de literatura já foi chamado de literatura invisível ou fugitiva. É compreensível que haja um corpo de conhecimento registrado em relatórios técnicos e de pesquisa, em instituições privadas, classificados como informação reservada ou até mesmo confidencial. E mesmo no caso da informação cinzenta de categoria pública, na maioria das vezes, ela é não categorizada e nem ao menos ocorre em motores de busca de amplo acesso.

Outra característica da Literatura Cinzenta seria seu tráfego veloz (apesar de curto) devido à sua informalidade isenta das exigências típicas da Literatura Branca, e também da vasta disponibilidade de mídias variáveis que a carregam como e-mails, CDs, Pen drives e impressos de pequena escala.

Quase 30% da Literatura Cinzenta de âmbito acadêmico é aquela proveniente da comunicação em encontros e eventos, de autoria individual, com destaque para a área de ciências humanas, enquanto que a Literatura Formal como um todo, tem 37% de suas informações contidas em artigos de periódicos.

É importante notar a força relacionada à literatura cinzenta na academia, mesmo diante da pressão para se publicar em canais formais, e da visibilidade que estes canais proporcionam devido ao seu maior reconhecimento, e também diante da necessidade de se publicar para que haja possibilidade de ascensão na carreira.

A dificuldade de disponibilizar a literatura cinzenta para o publico amplo de maneira sistematizada também se revela fortemente diante dos esforços que têm sido feitos mesmo com o apoio do CNPq há pelo menos 20 anos no campo da ciência da informação com trabalhos da ECA/USP que tenta medir a produção dentre docentes e outros doutores

Até o ano 2000 já se encontravam trabalhos vinculados a 66 doutores no Brasil relacionados à literatura cinzenta, sendo que destes, metade havia se titulado nos anos 90 o que demonstra o quão recente são as tentativas de medir essa questão.

Mesmo antes de ser batizada com esse nome na década de 1970, a Literatura Cinzenta já havia sido identificada por teóricos e já demonstrava as suas características marcantes como Vasta e Crescente.

Referências

  • Población, Dinah Aguiar et al. (1995) literatura cinzenta versus literatura branca: Transição dos autores das comunicações dos eventos para produtores de artigos.
  • Población, Dinah Aguiar; Noronha Daisy Pires (2002) Produção das literaturas “branca” e “cinzenta” pelos docentes/doutores dos programas de pós-graduação em ciência da informação no Brasil
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