Ovos de dinossauro repletos de cristais do tamanho de balas de canhão descobertos na China

Acredita-se que os ovos gigantes pertençam a um ornitópode bípede com bico de pato.

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Os cientistas pensam que os ovos pertencem a uma nova espécie. (Créditos: Qing He et al/Journal of Paleontology)

Traduzido por Julio Batista
Original de

Dois ovos de dinossauro do tamanho de uma bala de canhão cheios de cristais foram descobertos por paleontólogos na China.

Os ovos esféricos fossilizados pertencem a uma espécie de dinossauro até então desconhecida e foram encontrados repletos de cristais de calcita. Eles foram desenterrados na Bacia de Qianshan, na província de Anhui, leste da China.

Três ovos foram desenterrados do solo da bacia, mas apenas dois sobraram; os pesquisadores que fizeram a descoberta notaram que o terceiro havia sido “perdido e ainda estava em processo de coleta”. Se o terceiro ovo foi extraviado, danificado durante a escavação ou roubado não está claro. Os dois ovos restantes foram classificados com o nome Shixingoolithus qianshanensis, tornando-os uma ooespécie recentemente descrita (ooespécies, oogêneros e oofamílias são os nomes taxonômicos dos dinossauros conhecidos apenas por seus ovos). Os pesquisadores publicaram suas descobertas em 25 de agosto no Journal of Paleontology.

De acordo com os pesquisadores, os ovos são “quase esferoides” e aproximadamente do tamanho de uma bala de canhão, com um comprimento de 105 a 137 milímetros e uma largura de 99 a 134 mm. Um dos dois ovos coletados foi encontrado parcialmente quebrado; sua superfície interna “é coberta por uma camada de cristal de calcita, e cristais de calcita individuais são evidentes”, relataram os pesquisadores.

A calcita é um mineral de carbonato comumente encontrado nos ovos de pássaros e dinossauros, explicaram os autores do estudo. Os cristais de calcita se formam quando o carbonato de cálcio – também usado para fortalecer ossos, dentes e unhas – se separa da estrutura da casca do ovo e é depositado em sua superfície interna na forma de cristais de crescimento lento.

Um estudo anterior publicado em 2014 na revista Cretaceous Research sugeriu que os ovos de Shixingoolithus previamente descobertos de uma espécie diferente provavelmente pertenciam a um ornitópode – um grupo de dinossauros herbívoros e principalmente bípedes que cresceram até 9 metros. Os ornitópodes viveram desde a última parte do período Triássico (251,9 milhões a 201,3 milhões de anos atrás) até o final do período Cretáceo (145 milhões a 66 milhões de anos atrás) – após o qual eles e todos os outros dinossauros não-aviários foram exterminados pelo impacto e pelas consequências do asteroide de Chicxulub, que atingiu a península de Iucatã.

Após essa colisão cataclísmica, enormes quantidades de enxofre foram catapultadas para a estratosfera. Os gases sulfúricos bloquearam a luz solar e resfriaram rapidamente a Terra, possivelmente por séculos, enquanto também ocorria chuva ácida letal, alterando a química dos oceanos por dezenas de milhares de anos. Tudo isso levou à extinção de cerca de 75% das espécies de plantas e animais da Terra – incluindo ornitópodes.

Durante o Cretáceo, o que hoje é o leste da China experimentou erupções vulcânicas que depositaram grandes quantidades de sedimentos, tornando a área uma região especialmente rica para caçadores de fósseis. De acordo com a National Geographic, mais de 60 espécies de plantas, cerca de 90 espécies de vertebrados e cerca de 300 espécies de invertebrados foram identificadas apenas na província de Liaoning, noroeste da China.

Essas condições também são excelentes para a preservação de ovos de dinossauros, relataram os pesquisadores.

“Ovos de dinossauros no Cretáceo Superior da China são caracterizados por quantidades prodigiosas, tipos abundantes e ampla distribuição”, escreveram no estudo. “Aproximadamente 16 oofamílias e 35 oogêneros foram relatados na China.”