‘Sombra da Morte’: um dinossauro gigante encontrado na Argentina é o maior megaraptor já registrado

0
72
Impressão artística do megaraptor. Crédito: Agustín Ozan. Fotos: Juan Mabromata / Agence France-Presse.

Por Liliana Samuel
Publicado na ScienceAlert

Paleontólogos argentinos anunciaram a descoberta de um dinossauro predador do tamanho um ônibus urbano do nariz à cauda que eviscerava sua presa com garras afiadas e em formato de foice.

O gigante de seis toneladas, o maior megaraptor descoberto até hoje, se alimentava de dinossauros menores que rasgava em pedaços com suas garras antes deles irem para o seu bucho, disse o paleontólogo Mauro Aranciaga à Agence France-Presse.

Teria sido o “superpredador” de seu tempo, disse Aranciaga – bem merecedor de seu assustador nome científico Maip macrothorax.

Novas compara os fósseis de Maip macrothorax com um livro. Créditos: Juan Mabromata / Agence France-Presse.

A primeira parte, ‘Maip‘, é derivada de uma figura mitológica “maléfica” do povo indígena Aonikenk da Patagônia.

O personagem foi associado à “sombra da morte” que “mata com vento frio” nas montanhas dos Andes, de acordo com um estudo que relata a descoberta na Scientific Reports.

A segunda parte, macrothorax, refere-se à enorme extensão da cavidade torácica da criatura – cerca de 1,2 metros de largura.

Sonho de infância

O monstro recém-identificado media de 9 a 10 metros de comprimento, maior do que qualquer tipo de megaraptor descoberto anteriormente – um grupo de gigantes carnívoros que já vagaram pelo que hoje é a América do Sul, de acordo com a equipe de Aranciaga.

Ele viveu cerca de 70 milhões de anos atrás, no final do período Cretáceo, no que era então uma floresta tropical, muito antes da cordilheira dos Andes e das geleiras que agora marcam a paisagem da Patagônia.

Os pesquisadores verificam os ossos fósseis do Maip macrothorax. Créditos: Juan Mabromata / Agence France-Presse.

O réptil assassino tinha duas garras afiadas e em formato de foice por pata dianteira, cada uma com cerca de 40 centímetros de comprimento.

Aranciaga, agora com 29 anos, teve a sorte de encontrar o primeiro pedaço do Maip em sua primeira expedição profissional há três anos à província argentina de Santa Cruz.

Isso levou a meses de escavação meticulosa, limpeza e classificação de um grande local escondido de ossos: vértebras, bem como pedaços de costela, quadril, cauda e braço.

“Quando levantei a vértebra e vi que tinha as características de um megaraptor, foi realmente uma emoção enorme”, lembrou Aranciaga.

“De alguma forma, realizei meu sonho de infância… encontrar um novo fóssil e ser de um megaraptor: o grupo no qual me especializo”, disse ele à Agence France-Presse.

Maip foi um dos últimos megaraptores a habitar a Terra antes da extinção dos dinossauros, cerca de 66 milhões de anos atrás, segundo Fernando Novas, do Laboratório de Anatomia Comparada do Museu Argentino de Ciências Naturais.

É também o megaraptor mais ao sul já encontrado, acrescentou Aranciaga, bolsista de doutorado do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas da Argentina (Conicet).