Tanto a esquerda quanto a direita têm tendências anticientíficas

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Crédito da Imagem: US Army RDECOM (Creative Commons).

Novo estudo sugere que tanto liberais (centro-esquerda dos EUA), quanto conservadores podem ser enviesados contra a ciência que não se encaixa com suas visões políticas.

O estudo descobriu que tanto a direita e a esquerda expressaram menos confiança na ciência quando foram apresentados fatos que desafiavam problemas políticos específicos.

Para conservadores, mudança climática e evolução foram as questões que levavam alguns a perderem confiança na ciência. Para liberais, era a energia nuclear e o estimulação hidráulica.

Resultados desafia livros recentes e artigos que afirmam que apenas conservadores têm dificuldade lidando com fatos científicos.

“Liberais também são capazes de processar informação científica de maneira tendenciosa,” disse Erik Nisbet, coautor do estudo e professor de comunicação e ciência política da Universidade do Estado de Ohio.

“Eles não são superiores aos conservadores.”

O estudo alerta que os resultados não devem ser interpretados para criar uma falsa simetria em que cada lado pode ser visto como igualmente errado.

“Nosso ponto é que existe evidência de viés em ambos os lados, embora seja em questões diferentes,” disse o coautor R. Kelly Garrett, também professor de comunicação na Universidade de Ohio.

Por exemplo, “liberais podem ser tendenciosos em alguns assuntos, mas isso não significa que estão errados em relação aos humanos causando mudanças climáticas,” disse Nisbet. “Você não pode dizer que nosso estudo suporta negacionistas do clima.”

Os participantes do estudo foram 1518 pessoas de todo os EUA que foram avisado que avaliariam um novo site educacional sobre ciências. Mas os pesquisadores na verdade queriam ver como as pessoas reagiam à informações que sabia-se que confrontava tanto conservadores quanto liberais junto com informações que ninguém tinha problemas (geologia e astronomia).

Todos os participantes responderam uma variedade de questões sobre demografia, incluindo sobre sua ideologia política e seu conhecimento científico.

Então, foram selecionados aleatoriamente um de seis tópicos científicos. Foram perguntados questões de verdadeiro ou falso, medindo a precisão de suas crenças sobre o tópico selecionado. Essas questões todas eram relacionadas a fatos científicos bem aceitos.

Por exemplo, os participantes da energia nuclear foram perguntados se pessoas que vivem próximo a usinas atômicas são expostas a mais de 20% de radiação que outras pessoas (Falso).

Aqueles selecionados para mudança climática foram perguntados se havia um grande desentendimento entre cientistas se as mudanças são ou não causadas pelos humanos (Também falso).

Os participantes então viram a página no site educacional sobre o seu tópico. A página provia informação que poderia levar os participantes a responder corretamente todas as questões.

Então foi pedido aos participantes avaliarem como se sentiram ao verem a página.

As próximas questões procuravam saber o quanto os participantes estavam motivados a resistirem aos fatos apresentados no site. Por exemplo, foi perguntado se eles acharam o site objetivo ou se “tentava pressionar a pensar de certa maneira”.

Finalmente, o participantes foram perguntados o quanto concordavam com cinco afirmações que mediam sua confiança na comunidade científica. Por exemplo, uma das frases era “Eu desconfio da comunidade científica”.

Os resultados mostraram desconfiança de ambos os conservadores e liberais, no entanto houveram diferenças em como reagiram.

Os liberais e conservadores sentiam mais emoções negativas quando liam páginas científicas que desafiavam suas ideias quando comparados a aqueles que liam sobre tópicos neutros (geologia e astronomia).

Contudo, a reação negativa de conservadores que liam sobre mudança climática e evolução era quatro vezes mais que a de liberais que liam sobre energia nuclear e estimulação hidráulica.

Ambos liberais e conservadores mostraram evidência de resistência motivada contra fatos relacionados a tópicos científicos que confrontavam suas crenças políticas.

Mas mais uma vez, conservadores reagiram mais fortemente que liberais.

Os pesquisadores não sabem ao certo por que conservadores reagiam mais que liberais quando não concordavam com a ciência, mas pode ser que seja mais que ideologia.

“Mudança climática e evolução são questões muito maiores na mídia e na política que energia nuclear e estimulação hidráulica,” disse Nisbet.

“O fato que os temas que confrontam conservadores são atualmente mais polarizadores na sociedade pode intensificar os sentimentos, disse Garrett.

“Até liberais mostraram menos confiança na ciência quando liam sobre mudança climática e evolução, temas que geralmente concordavam com a comunidade científica,” ele disse.

Infelizmente, a mídia tem potencial de incrementar a politização ao redor de outros assuntos científicos, como vacinação infantil, acrescentou Nisbet.

“Uma grande parte da mídia toma um ângulo partidário contrastando afirmações de possíveis candidatos Republicanos com o pedido do Presidente Obama para pais vacinarem seus filhos” ele disse.

Esse tipo de cobertura da mídia tem potencial de politizar o que foi pela maior parte do tempo um tema não-partidário, diminuem confiança em especialistas da saúde, e criam uma divisão entre liberais e conservadores, ele alerta.

Nisbet disse que a mídia parece ter saído do seu caminho para destacar candidatos Republicanos que questionam a vacinação.

A parte mais importante do estudo tem a ver com como vamos comunicar fatos controversos, disse Garrett.

“Demonizar grupos inteiros de pessoas, dizer que são incapazes de compreender ciência, não é só falso, mas também não uma estratégia efetiva de comunicação”.

“Todos podem ser tendenciosos. Dar nome a pessoas não é uma solução.”

Fonte

Universidade do Estado de Ohio. Both liberals and conservatives have anti-science biases. PsyPost. 10 de fevereiro de 2015.

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