Teoria do Filtro: por que encontrar a vida extraterrestre pode ser a pior notícia para a humanidade?

Por Carlos Zahumenszky
Publicado no Gizmodo

Existem milhares de pessoas que sonham em encontrar vida extraterrestre algum dia. Alguns até sonham em encontrar uma espécie inteligente e, certamente, benevolente. Parece ser algo bom nos filmes, mas há uma teoria, conhecida como o ‘grande filtro’, que postula que esse encontro pode ser a pior coisa que pode acontecer com a humanidade.

A teoria do grande filtro não tem relação com a ideia de que, caso encontrarmos uma civilização mais avançada, ela poderia nos destruir, como assegura Stephen Hawking. Tem a ver com algo muito mais sinistro, uma força destrutível inevitável que eliminaria todas as civilizações existentes e para o qual estaríamos indo de forma irremediável.

Para entender essa hipótese, é necessária enquadrá-la como uma resposta ao paradoxo de Fermi. Em outras palavras, é uma teoria que tenta explicar por que, caso haja milhares de planetas habitáveis no universo, não conseguimos encontrar nenhum vestígio de vidas neles.

O economista Robin Hanson formulou a teoria do grande filtro em 1996. Hanson começou a explicar como a vida emerge no universo e estabeleceu uma série de marcos consecutivos que são completamente necessários:

  • Formação de um sistema estelar adequado com planetas potencialmente habitáveis
  • Existência de moléculas adequadas para iniciar a vida, como RNA
  • Nascimento da vida unicelular (procariontes)
  • Evolução da vida unicelular complexa (eucariontes)
  • Reprodução sexual
  • Vida multicelular
  • Emergência de animais com grandes cérebros usando artefatos
  • Domínio do planeta por uma civilização
  • Primeiras tentativas de exploração em outros planetas (onde estamos)
  • Explosão de colonização

Hanson explica que, caso não consigamos encontrar vida de qualquer tipo no universo, é porque, em algumas dessas fases, existe um filtro que é praticamente impossível de superar, que destrói a possibilidade de chegar mais longe em termos evolutivos. A questão é… que filtro é esse? E, o que é importante, já passamos por ele?

Por enquanto, o fato de não termos encontrado nenhum vestígio de vida no universo suporta a ideia de que nosso caso é incrivelmente especial. Talvez o desenvolvimento de cérebros capazes de usar artefatos e dar origem a uma civilização seja um evento incrivelmente raro. Seja o que for, passamos o filtro. Somos a exceção que confirma a regra, um pequeno milagre no universo. Se permanecermos sozinhos, significará que somos os primeiros a ter passado o grande filtro.

Se, pelo contrário, encontrarmos a vida, significará que o que conseguimos é muito mais comum do que parece. Quanto mais inteligente e avançado a vida que encontrarmos for, pior será a notícia, porque isso significará que, seja qual for o filtro em que a maioria das civilizações perecem, ainda não passamos.

Pode ser uma mudança no planeta que alcance um limite insustentável, como armas nucleares, nanotecnologia ou inteligência artificial. Se encontrarmos vida inteligente, saberemos que o grande filtro está na nossa frente e o pior para a nossa civilização ainda estará por vir.

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