Um povo vivo hoje mostra mais vestígios dos misteriosos denisovanos do que qualquer outro

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Impressão artística de um Denisovano e a Caverna Denisova, Sibéria. Créditos: Maayan Harel / Xenochka / Wikimedia Commons.

Por Peter Dockrill
Publicado na ScienceAlert

Os misteriosos denisovanos só foram formalmente identificados há cerca de uma década, quando um único osso de dedo desenterrado de uma caverna na Sibéria dei aos cientistas a pista da existência antiga de um tipo de hominídeo arcaico que nunca tínhamos visto antes.

Mas esse é apenas um lado da história. A verdade é que os humanos modernos já haviam encontrado denisovanos muito antes disso. Nós cruzamos caminhos com eles há muito tempo.

Na verdade, tanto tempo que nos esquecemos completamente deles. Especialmente quando eles – e outros humanos arcaicos, como os Neandertais – desapareceram no passado da extinção, e o Homo sapiens assumiu o domínio humano exclusivo sobre o mundo.

Mas mesmo isso é discutível.

Todas essas variedades de hominídeos tinham a tendência de cruzar-se entre si quando coexistiam, e é por isso que, por assim dizer, os humanos antigos ainda vivem em nosso DNA humano moderno.

Agora, um novo estudo revela onde os vestígios genéticos podem ser mais claramente identificados hoje.

De acordo com o estudo, liderado pelo geneticista da evolução humana Maximilian Larena da Universidade de Uppsala, na Suécia, um grupo étnico filipino Negrito chamado de Ayta Magbukon tem o nível mais alto de ancestralidade denisovana no mundo hoje.

“Junto com o recém-descrito H. luzonensis, sugerimos que havia várias espécies arcaicas que habitavam as Filipinas antes da chegada dos humanos modernos e que esses grupos arcaicos podem ter sido geneticamente relacionados”, explicam os pesquisadores em seu estudo.

“Ao todo, nossas descobertas revelam uma história complexa e entrelaçada de humanos modernos e arcaicos na região da Ásia-Pacífico, onde populações distintas de Denisovanos Insulares cruzaram com Australasiáticos em vários locais e em vários pontos no tempo”.

De acordo com os resultados da análise – com base em uma comparação de cerca de 2,3 milhões de genótipos de 118 grupos étnicos nas Filipinas – o nível de ancestralidade denisovana dos Ayta Magbukon é aproximadamente 30 a 40% maior do que o dos papuas.

Fotos de Negritos autoidentificados por toda as Filipinas. Crédito: Ophelia Persson.

Isso é verdade, embora os Negritos filipinos mais tarde tenham ‘diluído’ a quantidade de genética Denisovana de seu fundo genético, com uma mistura mais recente de linhagens do Leste Asiático, que carregam quantidades menores de linhagens Denisovanas.

Se esse efeito de diluição for contabilizado, o nível de ancestralidade denisovana dos Ayta Magbukon chega a 46 por cento a mais do que os australianos e papuas, sugerem os pesquisadores.

Mesmo sem levar isso em conta, no entanto, a evidência sugere que os Ayta Magbukon cruzaram menos com humanos modernos que chegaram posteriormente do que outros grupos Negrito das Filipinas: preservando traços de linhagens muito antigas de uma fonte arcaica – uma destinada, por muito tempo, a ser esquecida.

A equipe de pesquisa trabalhou com voluntários e comunidades culturais indígenas que participaram deste estudo, e o projeto foi reconhecido e implementado em parceria com a Comissão Nacional para a Cultura e as Artes (NCCA) das Filipinas.

“Alguns grupos, como Ayta Magbukon, cruzaram-se pouco com as pessoas que mais tarde migraram para as ilhas”, disse o geneticista populacional Mattias Jakobsson, também da Universidade de Uppsala.

“Essa é a razão pela qual os Ayta Magbukon retiveram a maioria de seus genes Denisovanos e, portanto, têm os níveis mais altos desses genes no mundo”.

Os resultados são relatados na Current Biology.