Vivien Thomas, um médico pioneiro injustiçado por sua cor

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Retrato de Vivien Thomas, por Bob Gee, 1969.

Em 29 de agosto de 1910, no estado de Louisiana, nascia Vivien Thomas, um homem negro que nunca passou nem pelo curso de medicina, mas desafiou a pobreza e o preconceito para entrar para a história da medicina no meio do apartheid americano. Neto de um escravo, Vivien começou a trabalhar como carpinteiro e passou boa parte da vida juntando dinheiro para cursar medicina, mas em 1929, a Grande Depressão anulou esse sonho.

No outro ano, ele conseguiu um emprego no laboratório do Dr. Alfred Blalock, que abrigava cães nos quais ele praticava cirurgias experimentais. Em pouco tempo, Thomas estava trabalhando como assistente de Blalock nas cirurgias experimentais (isso com apenas 20 anos). Juntos, eles conseguiram desenvolver técnicas para controlar hemorragias, que salvaram a vida de vários soldados americanos durante a Segunda Guerra Mundial. Isso fez com que Blalock virasse chefe de cirurgia do John Hopkins e, ainda, que levasse o seu auxiliar Thomas consigo.

Contudo, o maior trabalho deles não foi sobre hemorragia. Em 1943, a médica Helen Taussig procurou Blalock para desenvolver uma cirurgia para a síndrome do bebê azul, condição associada à quatro malformações cardíacas (por isso, também é chamada de tetralogia de Fallot) que leva à ausência de oxigênio no corpo e pode matar rapidamente. Blalock, então, a função para Vivien Thomas de reproduzir todos os quatro defeitos em cachorros e tentar consertá-los.

Após 2 anos de trabalho e 200 cães usados, Thomas conseguiu simular dois dos quatro defeitos e, então, corrigi-los. A cirurgia, logo depois, foi feita em um bebê, mas Thomas não pôde entrar na cirurgia, por questões raciais. No entanto, como ele sabia a manipulação deste procedimento em específico melhor do que Blalock, teve de ditar os processos durante a cirurgia, mesmo sem participar ativamente.

A primeira cirurgia não foi exitosa, mas a partir da terceira, sim, e ganhou o nome de cirurgia de Blalock-Taussig. Não surpreendentemente, Vivien Thomas não foi creditado, e todo o prestígio social e político foi exclusivo dos outros médicos. Thomas apenas foi devidamente reconhecido em 1976, quando o John Hopkins o deu um título de doutor honoris causa e médico. A partir de então, várias pessoas têm revivido o grande homem foi, já que foi responsável por um dos maiores passos dentro da cirurgia cardíaca.

A história de Vivien Thomas é contada com detalhes no filme “Quase Deuses”

Se quiser saber mais sobre, veja o vídeo em:

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