A psicanálise deveria estar no Museu da Ciência?

A capa do obra The Remaking of Sigmund Freud. Crédito: Barclay Shaw.

Por Mario Bunge
Publicado na New Scientist

Devemos parabenizar o Museu da Ciência em Londres, Inglaterra, pela criação de uma exposição sobre psicanálise. A exposição à pseudociência ajuda muito a compreender a ciência genuína, assim como o aprendizado sobre a tirania ajuda a entender a democracia.

Nos últimos 30 anos, a psicanálise silenciosamente foi deslocada da academia pela psicologia científica. Mas persiste na cultura popular, além de ser uma profissão lucrativa. É a psicologia daqueles que não se deram ao trabalho de aprender psicologia, e a psicoterapia escolhida para aqueles que acreditam no poder da mente imaterial sobre o corpo.

A psicanálise é uma falsa ciência porque seus praticantes não fazem pesquisa científica. Quando o campo completou 100 anos, um grupo de psicanalistas admitiu essa lacuna e se esforçou para preenchê-la. Eles alegaram ter realizado o primeiro experimento mostrando que os pacientes se beneficiaram de seu tratamento. Lamentavelmente, eles não incluíram um grupo de controle e não consideraram a possibilidade de efeito placebo. Portanto, a alegação deles ainda não foi testada (The International Journal of Psychoanalysis, vol 81, p 513).

Mais recentemente, uma meta-análise publicada na American Psychologist (vol 65, p 98) pretendia apoiar a afirmação de que uma forma de psicanálise chamada terapia psicodinâmica é eficaz. No entanto, mais uma vez, os estudos originais não envolveram grupos de controle.

Em 110 anos, os psicanalistas não montaram um único laboratório. Eles não participam de congressos científicos, não submetem seus trabalhos a periódicos científicos e são forasteiros para a comunidade científica – uma marginalidade típica da pseudociência.

Isso não significa que suas hipóteses nunca foram submetidas à prova. É verdade que algumas hipóteses são tão vagas que são difíceis de testar e algumas delas são, de acordo com a própria confissão de Freud, irrefutáveis. Ainda assim, a maioria das testáveis já foi profundamente refutada.

Por exemplo, a maioria dos sonhos não tem conteúdo sexual. O complexo de Édipo é um mito; os meninos não odeiam seus pais porque gostariam de ter relações sexuais com suas mães. A lista continua.

Quanto à eficácia terapêutica, pouco se sabe porque os psicanalistas não realizam ensaios clínicos duplo-cego ou estudos de acompanhamento.

A psicanálise é uma pseudociência. Seus conceitos são vagos e não testáveis, mas são considerados como axiomas inexpugnáveis. Como resultado desse dogmatismo, a psicanálise permaneceu basicamente estagnada por mais de um século, em contraste com a psicologia científica que está prosperando.

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