Publicado por Mario Bunge.
Resumo: Neste ensaio, Mario Bunge examina os fundamentos filosóficos que alimentam a pseudociência e sustenta que ela prospera quando idealismo, irrealismo e antissistemismo substituem critérios científicos de teste, coerência e evidência. O autor compara ciência e pseudociência em termos de método, ética e compromisso com a verdade, e critica correntes como hermenêutica radical, dualismo psicologista e teorias de escolha racional quando desconectadas da investigação empírica.
1. Introdução
A emergência das ciências na antiga Grécia foi seguida pelo irracionalismo de neoplatônicos, cristãos e místicos vários, bem como pelo ceticismo radical, e portanto igualmente destrutivo, de Sexto Empírico. Estas reações à primeira revolução científica da história constituíram uma autêntica Contracultura.
A Revolução Científica de cerca de 1600 fez parte de outra ampla e profunda transformação intelectual. Contudo, a renovada confiança no poder da matemática, das ciências naturais e da engenharia não impediu que pouco depois se desatasse a maior e mais cruel Caça às Bruxas e Queima de Hereges da história.
Um século depois da emergência da modernidade, o triunfo da mecânica teórica, da cosmovisão mecanicista e da análise matemática suscitou as críticas de Berkeley e Hume, e não impediu que o subjetivismo e o fenomenismo retrógrados de Kant adquirissem um enorme prestígio.
Por sua vez, o Iluminismo, que havia endeusado a razão e aperfeiçoado a cosmovisão naturalista e humanista, provocou a Contra-Ilustração dos filósofos românticos, de Vico e Hamann a Hegel e Fichte, bem como de panfletistas reacionários como de Maistre e Nietzsche (ver Berlin 1990).
O restante do século 19 produziu grandes novidades científicas e técnicas: física de campos, mecânica estatística e química de base atômica, biologia celular, fisiologia experimental, microbiologia, bioquímica e psicologia experimental, medicina científica, metalurgia, o barco a vapor, o telégrafo e o rádio. Mas ao mesmo tempo os intuicionistas, neokantianos, positivistas e convencionalistas advertiam que jamais se conheceriam os átomos, nem o interior das estrelas, nem a natureza da mente. A filosofia da ciência costumava chamar-se então “crítica da ciência”, e sua principal tarefa era tentar impor limites à investigação antes que facilitá-la. Mais uma vez, o progresso científico era acompanhado ou seguido por um retrocesso filosófico.
Durante a primeira metade do século 20 ocorreram fascinantes novidades científicas: a consolidação da lógica e os fundamentos da matemática, bem como o brotar de novos ramos da matemática, as duas relatividades e a física quântica, a nova química teórica, a astrofísica e a cosmologia, a genética e a teoria sintética da evolução, o florescimento da neurociência e o nascimento da ecologia, a maturação da sociologia e a emergência da macroeconomia moderna e da “história total” (sistêmica) dos Annales, e, naturalmente, os vertiginosos avanços da engenharia.
Os intuicionistas, neotomistas, neokantianos, neo-hegelianos, marxistas, fenomenólogos, existencialistas, hermeneutas e wittgensteinianos contemporâneos dessas profundas inovações as ignoraram ou rechaçaram. Os nazistas denunciaram a nova física como produto semítico, e os stalinistas acusaram quase todas essas grandes novidades científicas de serem idealistas, embora de fato elas tivessem enriquecido a cosmovisão materialista, e esses mesmos cães de guarda nada de novo aportaram.
Somente os neopositivistas se entusiasmaram com a nova lógica e a nova física. Mas usaram a lógica para requentar o fenomenismo de Kant, Comte e Mach (por exemplo, Carnap 1928), e interpretaram a relatividade e a quântica à luz do mesmo (por exemplo, Frank 1946). Por esse motivo, os membros do Círculo de Viena e seus amigos deveriam considerar-se como coprogenitores do chamado espírito de Copenhague. A participação de Bohr (1949) no Segundo Congresso Internacional para a Unidade da Ciência, celebrado em Copenhague em 1936, delimitou os campos em disputa: os neopositivistas e Bohr, o pai da escola de Copenhague, se abraçaram, e o realista Einstein ficou isolado.
Durante esse período somente três filósofos lançaram luz sobre algumas dessas novidades. Foram eles Bertrand Russell (sobre lógica), Émile Meyerson (sobre a relatividade) e José Ortega y Gasset (sobre a técnica). Em contrapartida, Karl Popper, o mais influente dos epistemólogos do restante do século, denegriu a biologia evolutiva, que estava em plena expansão, enalteceu a microeconomia neoclássica, que estava estancada, e mais tarde também ressuscitou o dualismo mente-cérebro ao mesmo tempo que se consolidava a neurociência cognitiva.
Terminada a Segunda Guerra Mundial, a ciência e a técnica refloresceram. Nasceram a física do estado sólido e a biologia molecular, e a psicologia experimental redescobriu a mente e se aliou com a neurociência. Também a técnica se enriqueceu notavelmente: basta recordar as usinas nucleares, o Sputnik e a nova tecnologia da informação.
Mas por volta de 1960 apareceu a Contracultura do rock, das drogas, da desconexão da realidade e da denúncia pseudoesquerdista da modernidade. Esta onda irracionalista, irrealista e antiuniversalista, chamada pós-modernismo, inundou as faculdades de humanidades, onde naufragaram muitos que, embora se acreditassem progressistas, repetiram as consignas reacionárias da Contra-Ilustração, em particular a patranha de que a razão é uma arma de domínio (ver Sebreli 1992, Wolin 2004). E justamente quando os físicos experimentais manipulam átomos individuais, os geneticistas analisam o genoma humano e os psicobiólogos começam a estudar a consciência e o livre-arbítrio, o filósofo Colin McGinn (2004) e o linguista Noam Chomsky (2009) se proclamam “misteristas”.
Haverá um padrão em tudo isso? Será que todo avanço científico provoca eventualmente uma reação filosófica e ideológica? Se for assim, qual é a causa de semelhante alternação de tese e antítese sem as correspondentes sínteses dialéticas? Inércia intelectual? Atração de mentes semiformadas pelo “pensamento débil”, ou seja, confuso e incoerente? Medo das gentes de letras de serem marginalizadas por seus colegas das ciências e técnicas? Desconfiança do religioso para com tudo quanto ameace resolver presumidos mistérios eternos, tais como a origem da vida e a natureza da mente? Temor dos reacionários de que a heterodoxia científica sugira heterodoxias políticas? Confusão da ciência com engenharia militar? Confusão da universalidade da lógica e da ciência com globalização imperial? Ou todas essas causas ao mesmo tempo?
Posto que estas questões são empíricas, coloquemo-las nas mãos dos psicólogos sociais e dos sociólogos e historiadores das ideias. Limitemo-nos a recordar que ainda estamos nas postrimerias do “pós-modernismo”, caracterizado pela anticiência e pela pseudociência, e perguntemo-nos qual é o pano de fundo filosófico destas correntes de opinião. Começaremos por caracterizar o conceito de pseudociência, e depois examinaremos alguns exemplos de pseudociência natural e outros de pseudociência social.
2. Ciência
Posto que a pseudociência simula a ciência, para defini-la devemos começar por caracterizar o artigo autêntico. Quando falamos acerca da ciência podemos nos referir a uma atividade, um ramo do conhecimento, ou uma comunidade de investigadores. Posto que estes três conceitos estão entrelaçados entre si, convém adotar uma definição que os compreenda. No que se segue nos limitaremos às ciências fáticas, ou seja, as que estudam partes da realidade e empregam a lógica e a matemática como ferramentas.
Comecemos pela atividade científica. Um projeto de investigação pode conceber-se como um plano representado pela décUpla ordenada:
Π = ⟨E, C, S, P, D, G, B, A, F, M⟩
onde:
E denota a equipe de investigadores,
C denota a comunidade da qual E faz parte,
S denota a sociedade da qual E faz parte,
P designa a problemática que E aborda,
D é o domínio de fatos a que P se refere,
G é um conjunto de suposições gerais acerca de D,
B é o corpo de conhecimentos prévios acerca de D,
A é a meta da investigação,
F designa os meios materiais disponíveis: instalações e orçamento,
M designa o método a ser empregado para estudar os D.
Suporemos que este esquema vale para qualquer investigação empírica, desde a averiguação da melhor maneira de ir de um lugar a outro, de encontrar um objeto perdido ou o autor de um delito, até uma investigação científica ou técnica. O que caracteriza uma investigação científica é a natureza dos componentes da décUpla Π:
1. A equipe E está composta por pessoas com educação científica.
2. A comunidade C é uma rede social organizada de cientistas, cujos membros compartilham conhecimentos, colaboram e competem entre si.
3. A sociedade S apoia ou ao menos tolera a atividade de E.
4. Os membros de P são questões formuladas com clareza acerca de fatos (membros de D).
5. D denota uma coleção de fatos realmente possíveis (não imaginários) e escrutáveis (não misteriosos), tais como o mecanismo (ainda desconhecido) do soluço.
6. G nomeia um conjunto de princípios filosóficos, tais como a tese materialista de que todo fato envolve exclusivamente entes materiais, a tese realista de que o mundo exterior ao sujeito existe com independência deste e é estudável, e o princípio moral de que o investigador científico deve procurar a verdade e denunciar as patranhas.
7. O conhecimento antecedente B contém ao menos alguns conhecimentos verdadeiros. Se B fosse vazio, como preconizaram Bacon e Husserl, nem sequer seria possível formular problemas, já que os problemas originais são buracos em B.
8. A meta A é descrever e explicar fatos em D.
9. Os meios disponíveis F dependem não só da meta A, mas também da abertura e ilustração da sociedade S.
10. Não se procede ao acaso, mas sim conforme os métodos (procedimentos regulares) em M. Estes dependem tanto das habilidades e meios dos investigadores quanto da natureza dos fatos a investigar. A estas técnicas particulares (por exemplo, amostragem) se une o método científico M, que passamos a descrever.
O cientificismo sustenta que, diferentemente das técnicas (métodos especiais), o método científico é universal, no sentido de que é aplicável ao estudo de fatos de qualquer natureza: naturais, sociais ou biossociais. Este método, diferentemente das receitas artesanais, não garante resultados, mas é um mapa de rota que pode descrever-se esquematicamente como esta sucessão de etapas:
1. Busca e formulação clara de problemas novos (abertos).
2. Busca dos conhecimentos antecedentes pertinentes.
3. Solução tentativa (hipótese, técnica experimental ou de computação).
4. Prova da solução tentativa.
5. Avaliação dos resultados obtidos.
6. Correção de passos anteriores.
7. Comunicação a colegas.
8. Discussão com colegas.
9. Correções.
10. Novos problemas sugeridos em passos anteriores.
O método científico pressupõe o princípio racionalista de que tudo pode ser discutido, e que toda controvérsia científica deveria ser logicamente válida: na ciência há problemas triviais, mas não há problemas nem soluções tabus. O mesmo método também envolve tacitamente dois conceitos semânticos chave: os de significado e verdade. O primeiro, porque é impossível investigar o que carece de sentido e portanto é incompreensível. (Pense-se em medir o tempo de percurso de um móvel usando a pseudodefinição do tempo proposta por Heidegger: “o tempo é o desenvolvimento [Reifigung] da temporalidade”.)
Quanto à verdade, deixada de lado por céticos radicais, convencionalistas, instrumentalistas, pragmatistas e hermeneutas, é a meta da investigação básica, bem como um meio para a ciência aplicada e a técnica. Com efeito, toda prova empírica põe à prova a verdade de uma ou mais hipóteses, e toda regra empírica eficaz se baseia ou se justifica a posteriori sobre hipóteses que são verdadeiras pelo menos em primeira aproximação. Não é por acaso que a indústria dos psicofármacos emprega psicofarmacólogos, não psicanalistas. É verdade que as empresas empregam egressos de faculdades de ciências econômicas e empresariais que tiveram de estudar a microeconomia neoclássica, a qual não ostenta credenciais científicas. Mas também é duvidoso que os administradores de empresas empreguem seu tempo estimando utilidades e probabilidades subjetivas.
O sentido e a verdade são centrais em toda ciência, mas não bastam: também é preciso ajustar-se ao ethos da ciência básica. Merton (1973) o caracterizou como universalista, desinteressado, cético organizado e comunista epistêmico (propriedade comum do saber). Dito de maneira negativa: a ciência básica não é regionalista, nem utilitária, nem dogmática, nem de propriedade privada.
O ethos da técnica é muito diferente do da investigação básica: os artefatos devem ser eficazes, mas para isso devem adaptar-se às circunstâncias locais. O objetivo é utilitário, e os inventos, diferentemente das descobertas, são patenteáveis. É interessante que os críticos pós-modernos da ciência a acusem precisamente de possuir estas características da técnica (ver cap. 14).
Finalmente, toda ciência básica se distingue por sua mutabilidade, compatibilidade com o grosso do conhecimento antecedente B e sobreposição parcial com outros ramos da ciência básica. A primeira característica flui do fato de que não há ciência “viva” sem investigação, e toda investigação exitosa enriquece ou corrige o acervo científico. A compatibilidade de toda nova investigação com o grosso do fundo de conhecimento se deve a que o enunciado de todo problema novo tem pressuposições, e por sua vez serve de critério para avaliar a factibilidade e originalidade dos projetos. Finalmente, a sobreposição parcial das ciências se deve a que as fronteiras entre estas são em grande medida convencionais e circunstanciais, e por sua vez facilita a cooperação entre as mesmas, o que ocorre especialmente nas disciplinas híbridas, tais como a psicobiologia e a socioeconomia. Esta cooperação interdisciplinar faz com que o conjunto das ciências constitua um sistema, o que por sua vez sugere que a saúde de cada uma delas depende em parte da saúde das demais.
Passemos agora a caracterizar o conceito geral de pseudociência.
3. Pseudociência
Uma pseudociência é um conjunto de crenças e práticas que se proclama científico sem sê-lo. As pseudociências não desaparecem com o progresso científico, mas, paradoxalmente, se multiplicam com este. Com efeito, dada uma ciência qualquer, há pelo menos uma pseudociência que pretende substituí-la. Ademais, é sabido que a educação atual reforça a crença em pseudociências: as pessoas se inteiram delas nas salas de aula e pelos meios de comunicação de massa.
Para piorar, em toda comunidade científica há pessoas que, apesar de ter credenciais científicas, propõem ou defendem hipóteses ou procedimentos que não resistem ao exame científico. Por exemplo, há físicos que acreditam em múltiplos universos paralelos (ver cap. 11). Ainda restam biólogos céticos da evolução. Muitos psicólogos acreditam que a mente é imaterial (ou então que é um computador). Ainda há antropólogos que descrevem os mitos e jogos de suas tribos, mas não averiguam como ganham a vida. Quase todos os professores de economia seguem ensinando a teoria do equilíbrio mesmo sabendo que é falsa. Quase todos os politicólogos simulam acreditar que a economia e a política são esferas disjuntas. E quase todos os historiadores são anuméricos.
Os filósofos da ciência, que deveriam ajudar a patrulhar as fronteiras da ciência, não costumam fazê-lo bem porque costumam ter ideias enviesadas acerca da ciência e, portanto, da pseudociência. Quase todos eles sublinharam, ora o aspecto teórico, ora o empírico. Exaltaram, ora a crítica, ora a comunicação. E descreveram indivíduos em um vazio social, ou comunidades científicas sem cabeças. E quase todos eles ignoraram o núcleo filosófico de toda ciência.
Definiremos o conceito de pseudociência por contraste com o de ciência definido na seção anterior. Em primeiro lugar, observamos que, com a só exceção dos parapsicólogos, os pseudocientistas não investigam: praticam ou catequizam, mas não ensaiam hipóteses nem técnicas novas. E os parapsicólogos fazem experimentos, mas não se ajustam ao método científico. Com efeito, descartam os casos negativos e, quando não cometem fraudes deliberadas, aceitam ingenuamente os resultados de defraudadores (ver, por exemplo, Kurtz, comp. 1985). O resultado líquido é que a parapsicologia permaneceu no estado em que nasceu por volta de 1860.
Fixemo-nos agora nos componentes da décUpla Π que caracteriza um projeto de investigação científica (seção 2). No caso de uma pseudociência:
E. Seus cultores carecem de preparação científica ou a adquiriram em outro campo.
C. Os pseudocientistas costumam reunir-se em associações gremiais, não de intercâmbio e controle de achados de investigações: não praticam o ceticismo organizado de que falava Merton.
S. A sociedade que alberga a comunidade C está cheia de pessoas que, por defeito de sua formação científica e filosófica, tendem a crer em fantasias pseudocientíficas, ao mesmo tempo que são céticas a respeito do que costumam chamar “ciência oficial”.
P. Os problemas que manejam os pseudocientistas costumam ter pressuposições falsas, tais como que se podem violar as leis naturais, ou que há pessoas dotadas de habilidades paranormais.
D. Os pseudocientistas costumam crer em fatos impossíveis, tais como a criação de matéria a partir do nada e a existência de espíritos desencarnados.
G. A filosofia subjacente à pseudociência é antimaterialista, sua gnosiologia é irrealista, e sua ética tácita não contém o preceito de evitar o engano, já que o pseudocientista engana a si mesmo ao negar-se a pôr à prova suas crenças.
B. As pseudociências não usam o conhecimento científico pertinente, mas pretendem partir do zero.
A. A meta central de todas as pseudociências é utilitária: seja o proveito pessoal (psicanálise), o reforço de uma ordem social (microeconomia neoclássica), ou o escoramento de uma crença religiosa (parapsicologia).
F. Os meios materiais são modestos, já que se trata de manipular o espírito antes que a matéria.
M. As técnicas de que se valem os pseudocientistas são muito mais simples e baratas que o método científico, o qual pode requerer instrumentos que, como os aceleradores de partículas, os observatórios astronômicos e os escritórios de estatística, custa muito construir e operar.
Finalmente, duas peculiaridades das pseudociências, em contraste com as ciências, é que são quase imutáveis e que não interagem com nenhuma ciência. As pseudociências mudam pouco porque não investigam. E estão isoladas do sistema das ciências porque pretendem ser totalmente revolucionárias: constituiriam rupturas epistemológicas (Gaston Bachelard) ou revoluções científicas à la Thomas Kuhn.
Todos os avanços científicos depois da Revolução Científica de 1600, por enormes que fossem, se enraizaram em achados anteriores. Por exemplo, a teoria especial da relatividade culminou a eletrodinâmica clássica. A física quântica respondeu a questões colocadas pela espectroscopia. A teoria neodarwinista da evolução resultou da síntese da darwinista com a genética. A biologia molecular uniu a genética com a bioquímica e a cristalografia. A neurociência cognitiva sintetizou a neurociência com a psicologia. E a história total faz uso da história tradicional, a geografia, a demografia, a economia e a politicologia.
Em resumo, as ciências autênticas, por novas que sejam, continuam a tradição científica em alguns aspectos, especialmente o metodológico (contrastação empírica e compatibilidade com o grosso do acervo científico), ontológico (materialismo), gnosiológico (realismo) e ético (universalismo, desinteresse, ceticismo organizado e socialismo epistêmico). Em contrapartida, as pseudociências são dogmáticas, têm importantes componentes idealistas e irrealistas, e seus cultores não fazem gala de altruísmo. Se os filósofos da ciência tivessem compreendido que a novidade científica se gesta em uma matriz filosófica, teriam ajudado a detectar a tempo os brotes pseudocientíficos.
Deitemos um olhar a uma pequena amostra de pseudociências. Convém examiná-las por três motivos. Primeiro, porque aprender algo acerca delas ajuda a compreender o peculiar da ciência autêntica, do mesmo modo que informar-se sobre a tirania ajuda a conhecer a democracia. Segundo, porque para promover o progresso da cultura é preciso descontaminá-la. Terceiro, porque para promover o bem-estar individual é mister protegê-lo de dois dos mitos mais potentes do século 20.
Um desses mitos é que estamos à mercê de forças inconscientes e portanto incontroláveis. O outro mito é o dual do anterior: que somos racionais e livres, a ponto de termos total liberdade para escolher o que mais nos convenha. O primeiro mito é essencial à psicanálise, e o segundo é o núcleo das teorias da escolha racional, em particular a teoria econômica padrão. A seguir as examinaremos brevemente. Embora muito diferentes entre si, ambas as doutrinas violam o método científico a ponto de terem sido praticadas e ensinadas durante mais de um século sem o menor suporte empírico. Ademais, ambas são idealistas, já que procuram explicar tudo em termos de processos mentais. Também são anti-humanistas, por serem individualistas e portanto promoverem o egoísmo.
4. Psicanálise
Ao longo das últimas três décadas, a psicologia científica foi deslocando silenciosamente a psicanálise (bem como o behaviorismo) da academia. Mas ela persiste na cultura popular bem como na condição de profissão lucrativa: é a psicologia dos que não se deram ao trabalho de aprender psicologia, e a psicoterapia de eleição para os que ainda acreditam no poder da mente imaterial sobre o corpo.
A psicanálise é uma ciência falsa porque seus crentes e praticantes não fazem o que somente os cientistas podem fazer, a saber, investigação científica. Quando a psicanálise completou 100 anos, Susan C. Vaughan e cinco de suas colegas psicanalistas em Nova York admitiram e deploraram esta lacuna, e se esforçaram por preenchê-la (Vaughan et al. 2000). Elas afirmaram ter realizado o primeiro experimento mostrando que a maioria dos membros de um grupo de pacientes havia se beneficiado de seu tratamento psicanalítico. Lamentavelmente, essas autoras não incluíram um grupo de controle, e não consideraram a possibilidade de remissão espontânea.
Dez anos depois, Jonathan Shedler (2010) realizou uma meta-análise de várias meta-análises que pretendiam apoiar a afirmação de que a terapia psicodinâmica é eficaz. Contudo, mais uma vez, os estudos originais não envolveram grupos de controle: avaliaram apenas o tamanho do efeito do pré-tratamento ao pós-tratamento. Portanto, foram incapazes de distinguir o efeito do tratamento da remissão espontânea ou do efeito placebo. Ademais, alguns dos estudos originais, em particular um no qual o autor do artigo em questão participou, envolveram um único paciente. Testes experimentais, de fato!
Em suma, embora os psicanalistas do mundo inteiro estejam bem organizados, em 110 anos não montaram um único laboratório psicanalítico. Não participam de congressos científicos. E não publicam seus artigos em revistas científicas. Em resumo, os psicanalistas são estranhos à comunidade científica — uma marginalidade que é típica da pseudociência.
Isso não significa que as hipóteses psicanalíticas nunca tenham sido postas à prova. É verdade que são tão vagas que são difíceis de testar, e algumas delas, particularmente a teoria da repressão, são irrefutáveis por admissão do próprio Freud. Ainda assim, a maioria das conjeturas psicanalíticas que são testáveis foram testadas por psicólogos experimentais e psicólogos sociais, e foram solidamente refutadas (por exemplo, Crews 1998, Wolf 1995).
Por exemplo, descobriu-se que a agressividade é mais aprendida que inata. Que não há correlação entre tipo de personalidade e o treinamento precoce de ir ao banheiro. Que a maioria dos sonhos não tem conteúdo sexual. Que o complexo de Édipo é um mito: os meninos pequenos não odeiam seus pais porque gostariam de ter sexo com sua mãe. Que o orgasmo vaginal é inexistente. Que o prazer sexual acontece no cérebro, não nos genitais. E que a raiz dos conflitos sociais não é a relação pai-filho.
Quanto à eficácia terapêutica da psicanálise, pouco se sabe a respeito, porque os psicanalistas não realizam ensaios clínicos duplo-cegos padronizados. Tampouco conduzem estudos longitudinais (ou de acompanhamento). Os psiquiatras dispõem de alguma informação confiável sobre o destino de ex-pacientes psicanalíticos, mas relutam em publicá-la porque alguns de seus próprios pacientes lhes foram encaminhados por psicanalistas que não sabiam o que fazer com seus clientes. Este é particularmente o caso de pacientes depressivos e bipolares, alguns dos quais podem cometer suicídio a menos que sejam tratados a tempo com pílulas antidepressivas — cuja própria existência contraria a antiga crença, compartilhada pelos psicanalistas, de que a mente é imaterial.
Seja como for, a psiquiatria biológica finalmente triunfou sobre a psicanálise, ainda que a primeira esteja longe de ter atingido a maturidade seja no diagnóstico, seja no tratamento. A aliança da neurociência com a indústria farmacêutica provou ser mais poderosa que o xamanismo (ver Shorter 1997).
Cabe esperar que a exibição do Museu inclua um painel comparando a psicanálise com a psicologia científica e a psiquiatria. Em particular, os seguintes traços deveriam ser ressaltados (ver Bunge e Ardila 1987).
1. A psicanálise é conceitualmente nebulosa: nenhum de seus conceitos-chave é uma variável no sentido da psicologia experimental. Consequentemente, não podem ser funcionalmente relacionados entre si de maneira clara, de modo que mexer em um deles resulte em alterar outros — o que resulta em baixa testabilidade.
2. Os psicanalistas tendem a considerar suas conjeturas como axiomas inatacáveis que não necessitam de provas — daí a inexistência de laboratórios psicanalíticos. Certamente disputam entre si e tendem a formar seitas rivais. Mas suas controvérsias, como as dos escolásticos medievais, são infrutíferas: nunca resultam em provas experimentais. Uma consequência de tal dogmatismo é que a psicanálise permaneceu basicamente estancada por mais de um século — em contraste com a psicologia científica, que atualmente prospera.
3. A psicanálise nada deve à neurociência ou à psicologia experimental. O próprio Freud (1929, p. 16) exigiu tal independência. Esta independência é típica da pseudociência, e explica por que é possível aprendê-la por inteiro em poucas semanas, enquanto a aprendizagem de um pesquisador em qualquer ciência leva ao menos uma década.
4. O legado de Freud se resume a duas ideias: que alguns processos mentais são inconscientes, e que alguns têm manifestações somáticas. Mas a primeira não era original e a segunda sobrevive de forma muito alterada. Com efeito, o inconsciente era conhecido por Hume, Tolstói, Dostoiévski, Helmholtz, William James, Pavlov e outros antes de Freud. Ademais, foi o tema da Philosophie des Unbewussten (Filosofia do Inconsciente) de Eduard von Hartmann, um best-seller em vários idiomas quando Freud tinha 14 anos. Freud não só não descobriu o inconsciente, como fantasiou descontroladamente sobre ele em vez de investigá-lo. Felizmente, agora é um tópico padrão na psicologia experimental (por exemplo, Morris et al. 1998). Quanto à medicina psicossomática, desenvolveu-se da anedota à psiconeuroendocrinoimunologia. Esta síntese, à qual os psicanalistas resistem, é completamente experimental. E, longe de envolver o mito da mente sobre a matéria, supõe que diferentes componentes do sistema material em questão interagem entre si — por exemplo, que uma perspectiva otimista (uma função cortical) ajuda o sistema imunológico a combater uma doença, e que a falta de controle sobre as próprias ações enfraquece a imunidade (por exemplo, Kemeny 2009).
5. A filosofia da mente que move a psicanálise é o dualismo interacionista cartesiano — a tese de que mente e corpo são substâncias separadas, mas que interagem. Tal dualismo é perpendicular ao monismo materialista que motiva a neurociência cognitiva. De acordo com este, os processos mentais são processos cerebrais (ver, por exemplo, Bunge 2010). Portanto, a obra volumosa de Freud sobre a Seele (alma) dividida em ego, id e superego pertence ao mito, não à ciência.
5. Hermenêutica e escolha racional
Durante a segunda metade do século 19, os filósofos idealistas reagiram contra o cientificismo dominante e propuseram a hermenêutica: a ideia de que os estudos sociais são ciências espirituais ou morais, totalmente disjuntas das naturais. Em particular, Wilhelm Dilthey (1959 [1883]) combinou o idealismo subjetivo de Kant com o objetivo de Hegel, e propôs que os estudiosos sociais se ocupem exclusivamente de fatos espirituais, e que o façam utilizando um método que lhes é próprio: a Verstehen ou compreensão empática, também chamada “interpretação”. Sua tarefa seria “interpretar” os fatos sociais em termos das ideias de seus protagonistas. Por esse motivo esta escola costuma chamar-se hermenêutica.
Examinemos brevemente os dois princípios reitores da hermenêutica. Um deles é a dicotomia das ciências em naturais e espirituais (ou culturais, ou morais). Esta dicotomia é falsa, já que os seres humanos somos animais eminentemente sociais, de modo que participamos de fatos biossociais, tais como fomes coletivas e massacres. Por isso é que, desafiando a proibição hermenêutica, emergiram ciências biossociais, tais como a psicologia, a demografia, a geografia e a epidemiologia. À luz destas ciências, certas variáveis que à primeira vista são puramente biológicas, tais como esperança de vida, taxa de morbidade, espessura do neocórtex, índice de massa corporal e quociente de inteligência, resultam ser biossociais.
O outro princípio reitor da hermenêutica é que os estudiosos do social devem estudar exclusivamente a conduta individual, procurando “interpretá-la”, ou seja, conjeturar as intenções dos atores. Mas essa tarefa é quase sempre impossível, porque raras vezes se pode acessar os atores e, mesmo quando frente a eles, só dispomos de ambíguos indicadores condutuais de seus processos mentais. (Por exemplo, nenhum historiador da antiga Roma conseguiu entrevistar Júlio César.) Obviamente, alguns fatos sociais se explicam conjeturando as intenções dos decisores, como quando se sustenta que o petróleo é a raiz dos conflitos atuais no Oriente Médio. Não há, pois, conflito entre explicar e “interpretar”. Mas certamente há conflito entre a conjetura infundada e a que goza de suporte empírico.
A hermenêutica, que fantasia sobre textos e que amiúde imagina que os fatos sociais são textos, é incompatível com as ciências sociais autênticas, as quais estudam grupos sociais e fatos sociais anônimos, ou seja, que não resultam de decisões racionais. Por exemplo, é sabido que o sistema de castas, que ainda existe na Índia, regimenta as ocupações e legitimiza a exploração de umas por outras. Mais ainda, essa odiosa ordem social foi se formando ao longo de vários milênios: contrariamente a Max Weber (1988: 131), não saiu de uma peça das cabeças de alguns brâmanes como “produto de um pensamento ético racional, não de ‘condições’ econômicas”.
A escola “interpretivista” se tornou famosa da noite para o dia quando Weber publicou em 1905 seu ensaio A ética protestante e o espírito do capitalismo, que parecia refutar a tese marxista do predomínio da “infraestrutura material” sobre a “superestrutura ideal”. Mas os críticos desta tese de Weber (por exemplo, Cohen 2002) assinalaram que o capitalismo nasceu nas repúblicas italianas, não em reinos nem principados protestantes, de modo que o empresário capitalista não pode ser guiado por preceitos religiosos.
Em obras posteriores, Weber seguiu defendendo a filosofia idealista, mas não a praticou de forma consistente. Em particular, em sua obra principal, Economia e sociedade (1922), Weber uniu todas as ciências sociais em um pé de igualdade. E em alguns casos, tal como o da extinção da escravidão na antiga Roma como consequência do cessar da expansão imperial, propôs explicações materialistas (ver Bunge 2007).
A escola idealista em estudos sociais contou com muitos outros cultores, entre eles Claude Lévi-Strauss, Michel Foucault e Clifford Geertz. Todos eles se limitaram a examinar os aspectos simbólicos da vida social, mas atacaram a razão. E, graças a seu gosto pela trivialidade e pelo paradoxo, bem como seu repúdio da estatística, tiveram mais êxito de livraria que de academia.
Enquanto isso, os principais achados arqueológicos, antropológicos e historiográficos do século 20 não se inspiraram na hermenêutica, mas sim na máxima materialista Primum vivere, deinde philosophari (ver Braudel 1969, Barraclough 1979, Harris 1979, Trigger 2003).
Não obstante, houve uns poucos idealistas, como o arqueólogo Ian Hodder, que fizeram aportes importantes à ciência social graças a suas investigações de campo, que mostraram que as ideias, longe de serem meros reflexos das condições materiais da existência, como sustentavam Marx e Engels, desempenham um papel ativo na sociedade. Mas Hodder usou o método científico, enquanto os outros não puseram à prova suas conjeturas. Ademais, ocupou-se de pessoas pensantes, não de ideias desencarnadas.
A tendência idealista que predominou nos estudos sociais a partir de meados do século 20 não foi a hermenêutica, mas sim a escola da escolha racional, que havia nascido na microeconomia por volta de 1870. Talvez choque a caracterização desta escola como idealista, já que também é economicista. Mas o fato é que, para os teóricos da escolha racional, a escolha e a decisão importam mais que a matéria-prima e o trabalho. O materialista sistêmico, em contrapartida, sustenta que todo sistema social, seja econômico, político ou cultural, é material por estar constituído por seres de carne e osso, sejam torneiros, estadistas ou poetas, junto com seus artefatos.
Criticamos esta escola em outras publicações (Bunge 1999a, 1999b, 2000). Aqui nos limitaremos a examinar muito esquematicamente tão somente suas duas teses principais: o individualismo ontológico e metodológico, e sua consequência ética, o egoísmo racional.
A escola da escolha racional adota o individualismo ontológico, metodológico e ético. O individualismo pretende, seja negar a existência de totalidades sociais (famílias, empresas, Estados, etc.), seja explicá-las exclusivamente em termos de escolhas, decisões e ações de indivíduos. Mas os recursos naturais, o clima e as crises e bonanças econômicas não emanam de decisões. E há valores impessoais irredutíveis a traços pessoais, tais como a natureza circundante, a convivência civilizada, a segurança, a justiça e a verdade objetiva, que não têm preço e portanto não se cotizam em bolsa.
As teorias da escolha racional postulam que todos os seres humanos somos basicamente egoístas e procuramos maximizar a utilidade esperada (utilidade × probabilidade) de cada um de nossos atos. Mas as pessoas normais levam em conta os interesses alheios ademais dos próprios (ver, por exemplo, Gintis et al. 2005). E, fora dos cassinos, os acontecimentos são mais causais que casuais, de modo que não é possível atribuir-lhes probabilidades objetivas.
Em conclusão, tanto a hermenêutica quanto as teorias da ação racional rechaçaram tanto a ontologia materialista quanto a gnosiologia realista. Isto explica que sua produção ao cabo de mais de um século tenha sido quase nula apesar de pertencerem ao establishment.
6. O marco filosófico das pseudociências
Não se faz trabalho intelectual em um vácuo filosófico, mas sim dentro de um marco filosófico que provê ponto de vista, meta e método. Mas o marco filosófico em que se desenvolve o estudo da realidade pode ser, seja ninho para chocar boas ideias, seja jaula para impedir o voo da imaginação. Comparemos o pentágono daqui com esta outra figura:

Quem investiga em uma ciência natural adota tacitamente uma filosofia materialista e cientificista, de modo que não corre perigo de que o desvie a moda “pós-moderna”, ou seja, irracionalista. Em contrapartida, os estudantes das ciências sociais ou das humanidades não estão imunizados contra a praga pós-moderna, que na realidade é continuação da Contra-Ilustração nascida por volta de 1800.
O que se pode esperar de quem pretenda fazer ciências sociais tomando a sério a filosofia espiritualista, subjetivista e antissistêmica que pregaram mas não praticaram coerentemente os sociólogos Max Weber e Pitirim Sorokin, e que pregaram e praticaram o fenomenólogo Alfred Schütz e o antropólogo “interpretativo” Clifford Geertz?
Desde logo, semelhante estudioso do social não usaria estatísticas nem procuraria averiguar de que vive a gente, já que só lhe interessam as ideias não científicas, os ritos e os jogos. Ademais, seria incapaz de entender as guerras, já que quase todas estas são motivadas pelo afã de apoderar-se de recursos materiais, tais como jazidas petrolíferas. Tampouco entenderia as crises financeiras recentes, já que uma de suas causas é a oposição das grandes corporações e seus servidores políticos a toda regulação estatal que pretenda limitar sua cobiça. E, sendo anti-humanista, o estudioso em questão não compreenderia o dado estatístico de que, hoje em dia, as nações economicamente mais exitosas também são as que alcançaram um maior grau de desenvolvimento humano, ou seja, as que gozam do chamado Estado de bem-estar (UNDP 2006).
Desprovido de teorias verdadeiras e de uma moralidade pró-social, nossa vítima da pseudociência preconizaria políticas socioeconômicas mesquinhas que, ao final, poriam em perigo o paleocapitalismo que enaltece e que está em plena crise global, como o anunciara George Soros (1998). Como disse há um século e meio a grande escritora George Eliot, em seu romance Felix Holt: The Radical, “No fim das contas, o poder ignorante é o mesmo que o poder malvado: traz miséria.”
Em conclusão, diga-me que filosofia usas (não qual professas) e te direi quanto vale tua investigação. E diga-me que ciência usas (não a que dizes respeitar) e te direi quanto vale tua filosofia.
Referências
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