Glossolalia

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Créditos da imagem: Clarion de Laffalot

Basicamente, a glossolalia é um discurso elaborado sem significado.

De acordo com o Dr. William T. Samarin, professor de antropologia e linguística da Universidade de Toronto,

[pull_quote_center]a glossolalia consiste em várias sílabas sem significado algum ditas com um sotaque de alguém familiar e colocadas todas aleatoriamente. A glossolalia se parece com uma linguagem porque o orador quer inconscientemente que se pareça com uma linguagem. Entretanto, apesar das semelhanças superficiais, a glossolalia fundamentalmente não é nenhuma linguagem.[/pull_quote_center]

Quando falada por um esquizofrênico, a glossolalia é reconhecida como algo sem nexo. entretanto, em comunidades cristãs carismáticas, ela é referida e sacramentada como “falando em línguas” ou recebendo “o presente das línguas”.

Em Atos dos apóstolos, a glossolalia era descrita como uma iluminação dos apóstolos, preenchendo-os com o Espírito Santo. Isso permitiu-os falar na sua própria língua, mas, curiosamente, foram entendidos por gente de todos os lugares.

Glossolálicos se comportam de maneiras variadas, dependendo das expectativas sociais da sua comunidade. Alguns entram em convulsão ou perdem a consciência; outros são menos dramáticos. Alguns parecem entrar em transe; outros alegam ter amnésia do que falaram. Todos acreditam estar possuídos pelo Espírito Santo e que o que eles falaram fez algum sentido. No entanto, apenas aquele que tem a fé e foi presentado com o poder da interpretação é capaz de desvendar os significados do que foi proferido. É claro, isso dá ao interpretador o poder de traduzir o discurso da forma que ele bem entender e quiser. Nicholas Spanos diz: “Tipicamente, a interpretação sustenta os dogmas centrais da comunidade religiosa”.

A glossolalia que é interpretada por homens santos como um insight místico profundo é uma prática bem antiga. Na Grécia, mesmo o representante na Terra de Apollo, deus da luz, proferia os jargões. Israelitas da antiguidade também faziam isso. Assim como os jansenistas, metodistas, quakers e shakers.

Há evidências de que, enquanto uma pessoa fala em línguas, ela experimenta uma forte queda na função do lóbo frontal, área do cérebro que dá poder ao auto-controle. Há também um aumento de atividade na região parietal do cérebro, responsável pelas informações sensoriais e pela tradução delas. O psiquiatra Andrew Newberg, diretor do Centro de Espiritualidade e Mente da Universidade da Pensilvânia, estudou cinco mulheres pentecostais americanas e africanas que frequentemente falavam em línguas. Como atividade de controle, as mulheres cantaram músicas gospel enquanto moviam os seus braços e os agitavam.

Newberg, então, deu injeções intravenosas de um marcador radioativo às mulheres, o que o permitiu medir o fluxo sanguíneo e “ver” quais áreas do cérebro são mais ativas durante os comportamentos. Newberg e seus associados publicaram seus achados em uma edição de Novembro de 2006 na Psychiatry Research: Neuroimaging.

Durante a glossolalia, a parte do cérebro que normalmente faz uma pessoa ter um controle de si mesmo essencialmente cai em atividade. Isso faz sentido, diz Newberg, pois falar em línguas envolve sair do próprio controle e sentir uma “experiência muito intensa relatadas a [um] deus”.
Newberg notou que as respostas para a glossolalia são opostas àquelas dadas por pessoas em estado de meditação. Quando alguém medita, a atividade do lobo frontal aumenta, enquanto a atividade parietal diminui.

O movimento Pentecostal parece ter se originado no século 19, embora a base bíblica para essas práticas relatem isso ao Ato dos Apóstolos. A prática dos Pentecostais difere, entretanto, daquilo que foi descrito biblicamente. Eles usam sílabas aleatórias para alegar que estão falando em uma língua entendida por algum deus, mas não pelos meros mortais, mas, em ACTS, diz-se que, além do deus, os homens também entendem, cada um de sua forma.

Traduzido e adaptado de:

http://skepdic.com/glossol.html

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