Publicado por Sergio Morales Inga em Revista Punto Género.
Resumo: Mediante uma leitura crítica de estudos em psicologia, antropologia, estudos de gênero e neurociência, este artigo analisa os debates teóricos sobre o conceito de gênero e propõe uma nova ciência que integre os aportes das ciências sociais, biológicas e evolucionistas.
Em 2017, o engenheiro James Damore foi demitido da empresa Google após elaborar um memorando interno onde afirmou que “as diferenças na distribuição de traços entre homens e mulheres podem explicar, em parte, por que não temos uma representação de 50% de mulheres em tecnologia”. Apelando a diferenças sexuais em tópicos como orientação espacial, habilidade matemática, fluência verbal, ansiedade ou manejo do estresse, Damore afirmou que, em média, os homens optam por ofícios orientados a coisas (things-oriented), como a ciência e a tecnologia, diferentemente das mulheres, que preferem atividades orientadas a pessoas (people-oriented).
Apesar de valorizar a diversidade e a inclusão, o apelidado “Google Memo” foi muito debatido. Para seus críticos, o informe defendia teorias pseudocientíficas que afirmavam que as mulheres são menos aptas que os homens para trabalhos acadêmicos. Em contrapartida, para seus defensores, suas ideias eram corretas (Haidt, 2017; Lewis, 2017). A polarização também chegou ao terreno político. Nele, os conservadores defendiam a existência de diferenças inatas entre sexos, enquanto os progressistas as atribuíam à sociedade (Gorelik, 2017). Embora a maior presença de homens em carreiras científico-tecnológicas seja um fato explicável de diversas formas (Morales & Morales, 2020), existe ou existiu um conceito que assumiu a condução do debate: o gênero.
A literatura científica sobre o gênero é ampla. Ela expõe duas grandes posturas: a biológica, que explica o gênero a partir de fatores biológicos, e a cultural, que o explica a partir de fatores socioculturais (Boscán, 2015). Mediante a publicação de artigos, livros e debates em vídeo, o que se discutiu nos últimos anos mostra-se mais produtivo do que o realizado em décadas anteriores. Ainda que postular diferenças entre homens e mulheres seja um tema polêmico, a pesquisa científica prosseguiu. Nesse contexto, pesquisadores de diversos campos almejam estabelecer se as diferenças psicológicas (como traços cognitivos) e condutuais (interesses e preferências) entre sexos são inatas (biológicas) ou aprendidas (sociais). Contudo, apesar da grande quantidade de estudos, não há consenso.
Mediante uma leitura crítica de estudos realizados em psicologia, antropologia, estudos de gênero e neurociência, o presente artigo analisa os debates teóricos sobre o conceito de gênero e propõe desenvolver uma nova ciência do gênero que compreenda os aportes das ciências sociais, biológicas e evolucionistas. A seleção dos tópicos considerados responde aos marcos teóricos dos debates em questão. Nesse sentido, o artigo analisa a divisão sexo-gênero, a influência da cultura, o enfoque construtivista e os debates entre as hipóteses dimórfica e monomórfica. Finalmente, o artigo destaca a necessidade de integrar os aportes de diversas disciplinas no estudo de um fenômeno complexo como o gênero.
A divisão sexo-gênero
Ainda que o conceito de gênero seja um dos mais importantes das ciências sociais, sua origem esteve na psicologia. Em meados do século XX, Money (1955) extrapolou o termo da linguística para assinalar a falta de correspondência entre sexo e conduta em indivíduos transgênero. Dado que os termos macho e fêmea não permitiam explicar por que algumas pessoas diziam ter nascido no corpo equivocado, o gênero se referia à masculinidade ou feminilidade que as pessoas experimentavam independentemente de seu sexo. Para Stoller (1984), tal termo permitiu falar sobre feminilidade ou masculinidade sem implicar o sexo, já que “aqueles aspectos da sexualidade que são chamados gênero estão principalmente determinados pela cultura, isto é, são aprendidos” (p. xi). Assim, enquanto sexo se referia à anatomia, gênero se referia à psicologia e à conduta.
Apesar da distinção, ambos os conceitos se vinculavam. Nesse sentido, Stoller (1984) afirmou que “se a primeira descoberta deste trabalho é que a identidade de gênero é principalmente aprendida, a segunda é que existem forças biológicas que contribuem para isso” (p. xi). De forma similar, Money (1988) argumentou que o gênero opera “sobre a base de critérios somáticos e condutuais” (p. 201). Atualmente, tal vínculo parece pouco relevante. Para a American Psychological Association (2015), o termo sexo compreende os aspectos biológicos, enquanto gênero remete aos aspectos psicológicos, sociais e culturais. Do vínculo entre ambos se diz pouco ou nada. Como veremos adiante, isso obedece a uma tendência de afastamento entre as ciências sociais e biológicas.
Após distinguir sexo e gênero, a perspectiva de Money (1965) foi além ao destacar a possibilidade de que os pais possam moldar a identidade de gênero de seus filhos mediante a criação. Embora sua obra tenha enfatizado indivíduos transgênero, sendo pioneira no campo (Goldie, 2014), o mesmo princípio se aplicou a indivíduos cisgênero (Money & Ehrhardt, 1972). O caso John/Joan foi o mais icônico. Nos anos 60, Bruce Reimer sofreu a queimadura de seus genitais durante uma circuncisão. Money recomendou a seus pais criá-lo como menina, adotando o nome Brenda. Durante sua infância, tudo correu conforme o previsto. Entretanto, após sua adolescência, Bruce sofreu diversos problemas psicológicos derivados de sua situação particular que culminaram em seu suicídio aos 38 anos de idade (Colapinto, 2000).
Por sua grande influência, Unger (1979) propôs que nas ciências sociais o termo sexo fosse substituído pelo de gênero. Isso ajudou a popularizar o conceito, embora o tenha afastado das ciências biológicas. Nesse contexto, cunharam-se outros conceitos como identidade de gênero ou papel de gênero. A que se referem? Para Money (1988), “a identidade de gênero é a experiência privada do papel de gênero, enquanto papel de gênero é a manifestação pública da identidade de gênero” (p. 201). Trata-se de conceitos complementares: o primeiro remete à autoidentificação de ser homem ou mulher e o segundo, às condutas que definem a masculinidade ou feminilidade em um grupo social (American Psychological Association, 2015). O primeiro compete ao domínio individual e o segundo, ao social.
A influência da cultura
A primeira disciplina que destacou a importância da cultura para compreender o gênero foi a antropologia. As etnografias de Mead (1928, 1963, 1975) e outros constataram que os papéis de gênero variam enormemente. Tal variabilidade contribuiu para criticar os enfoques eugenésicos daquela época e para diferenciar sexo de gênero (Money, 1988). Assim, a partir de tal enfoque, Martin e Voorhies (1975) concluíram que “os traços condutuais correlacionados com o sexo estão predominantemente determinados pela sociedade e secundariamente pela biologia” (p. 18). Embora a distinção entre anatomia (sexo) e conduta (gênero) fosse patente na antropologia, tais estudos defendiam que os papéis de gênero se constituíam sobre a base do sexo biológico (Sanday, 1980).
A variedade de concepções sobre masculinidade/feminilidade se reflete em categorias nativas que aludem a indivíduos cuja conduta integra papéis masculinos e femininos, chamados usualmente dois espíritos (Goulet, 1996). Por exemplo, os termos winkte (tribo Lakota) e agokwa (tribo Ojibwa) referem-se a homens assumindo papéis femininos, enquanto hwame (tribo Mojave) e ickoue (tribo Sauk) referem-se a mulheres assumindo papéis masculinos. Da mesma forma, nadleehi (tribo Navajo) e tubas (tribo Paiute do Norte) constituem um terceiro e quarto gênero (Bevan, 2015). Categorias similares existem em culturas mesoamericanas, asiáticas, do Oriente Médio, africanas e andinas (Bering, 2010; Horswell, 2005; Rosales, 2010). Tudo isso demonstrou que os papéis de gênero eram fenômenos culturais e históricos (Brettell & Sargent, 2013; Ember & Ember, 2003; Lindsey, 2016).
“Reconhecemos que as diferenças entre homens e mulheres, em termos de atividade sexual e conduta social, são importantes na vida cotidiana dos seres humanos em toda sociedade. Estas diferenças são em parte o resultado de uma variação biológica fundamental entre os sexos. Não obstante, estamos comprometidos com a proposta de que a cultura, mais do que a biologia, desempenha o papel mais crítico ao determinar aqueles traços da conduta que, em última instância, dicotomizam os sexos.” (Martin & Voorhies, 1978, p. vii).
Em um dos trabalhos de sistematização mais importantes, Roscoe (1998) argumentou que “a evidência dos múltiplos gêneros na América do Norte oferece suporte à teoria do construtivismo social, a qual afirma que os papéis de gênero, as sexualidades e as identidades não são naturais, essenciais nem universais, mas sim construídas” (p. 5). Nesse marco, o sexo foi vinculado ao sexo anatômico, enquanto o gênero foi vinculado aos papéis e identidades de gênero (Roscoe, 1998). Como tal, o aporte antropológico consistiu em reinventar o conceito de gênero ao destacar sua natureza cultural (King, 2019). Isso foi alcançado sem descuidar do valor do sexo biológico. Reconhecer esse ponto é chave para entender o desenvolvimento do conceito ao longo do tempo.
Destacar a influência da cultura permitiu reconhecer que muitas condutas que se acreditavam inatas eram aprendidas, ou seja, produto de uma socialização binária que molda a conduta de homens e mulheres (Basu et al., 2017; Berkowitz et al., 2010). Nesse contexto, os estereótipos e ideologias de gênero influenciam a criação de meninos e meninas rumo a tarefas típicas de seu sexo (Bulanda, 2004; Gaunt, 2006), moldando seu interesse profissional (Bian et al., 2017; Cheryan et al., 2009; Yang & Gao, 2021), competitividade (Gneezy et al., 2009), desempenho matemático (Hyde & Mertz, 2009) ou habilidade espacial (Hoffman et al., 2011). A variedade de ideologias e papéis também faz com que a divisão sexual do trabalho de certas sociedades seja menos rígida (Dyble et al., 2015). Por isso, os papéis de gênero constituem um problema mais cultural do que biológico.
A construção cultural do gênero
Tomando a evidência antropológica e combinando-a com aportes filosóficos (Butler, 1999, 2004), os estudos de gênero entraram no debate. Vinculados a correntes feministas e pós-modernas próximas à antropologia (Moore, 1988), os estudos de gênero popularizaram o conceito nas ciências sociais e humanidades (De Barbieri, 1993; Osborne & Molina, 2008; Scott, 1986; Shapiro, 1981). Nesse âmbito, alguns se perguntaram se tais tendências formavam uma antropologia do gênero ou uma antropologia feminista (Goldsmith, 1992). Seu principal aporte foi conceber o gênero como um fenômeno cultural ou histórico (Brickell, 2006; Chodorow, 1995; Freud, 1991; Lamas, 2013; Lorber & Farrell, 1991).
A partir de tal perspectiva, o gênero foi definido como: “construtos sociais, culturais e psicológicos impostos sobre as diferenças biológicas” (Shapiro, 1981, p. 449); “a construção cultural do masculino e do feminino” (Martín, 2008, p. 38); “a construção sociocultural da diferença sexual” (Rosales, 2010, p. 25); “um construto social que pretende dar conta das formas de atuar dos seres humanos em seu apoio a uma normatividade de índole binária, de acordo com o sexo do indivíduo” (Revilla, 2013, p. 10); ou “construções culturais simbólicas” (Ortner & Whitehead, 2013, p. 128). Em tal enfoque, a biologia não cumpria papel algum, já que o gênero era interpretado unicamente como um evento cultural. Embora tenha se referido a evidência antropológica, esta foi interpretada a partir de marcos teóricos construtivistas (Morales, 2017).
Como tal, o construtivismo se opôs ao determinismo biológico que defendia que as condutas de gênero se deviam a causas biológicas (Boscán, 2015; Martín, 2008; Worthman, 1995). No século XX, tal determinismo esteve representado na sociobiologia, que explicava fenômenos sociais (como a guerra, a competição econômica ou a brecha salarial) apelando à seleção natural darwiniana (Morales, 2024a). Ao contrário, os construtivistas propuseram que o gênero não era produto da evolução, mas sim da socialização (Martín, 2008). Embora tal tese fosse correta, conseguindo se popularizar nas ciências sociais (Arango & Viveros, 2011), o construtivismo levou a rejeitar a influência de fatores biológicos (Morales, 2017), o que ampliou a brecha entre ciências sociais e biológicas.
Explicar o gênero sem atender à biologia pode ocasionar vieses ao confundir papéis de gênero (algo cultural e histórico) com identidade de gênero (algo psicológico e biológico). Se por um lado o enfoque construtivista remete a evidência etnográfica, os primeiros antropólogos destacaram a cultura porque estudaram os papéis de gênero, não a identidade de gênero. Por isso, seria um erro afirmar que a antropologia demonstrou que a biologia não importa, já que nunca teve tal objetivo. Esse fato, junto a outras limitações vinculadas à idoneidade de seus marcos teóricos e filosóficos, fez com que os estudos de gênero sofressem diversas críticas que questionam seu rigor (Morales, 2018). Isso criou o cenário ideal para o retorno de enfoques que se acreditavam superados.
O retorno do determinismo biológico
Frente ao impacto do construtivismo, muitos cientistas mantiveram silêncio (Worthman, 1995). Todavia, no novo século, diversos estudos afirmavam que as diferenças psicológicas e condutuais entre homens e mulheres estavam determinadas por fatores biológicos, ou seja, que o gênero era produto da biologia. Tal reação começou após a publicação de um ensaio que postulou que a testosterona moldava as diferenças sexuais e impactava a socialização. Em outras palavras, a construção cultural do gênero tinha limites biológicos (Udry, 2000). Em tal enfoque, as diferenças hormonais entre homens e mulheres foram consideradas a causa de suas diferenças cerebrais que, por sua vez, foram a causa de suas diferenças psicológicas e condutuais.
Apoiando-se em ampla literatura que mostra diferenças cerebrais entre sexos (Arnold, 2020; Baron-Cohen, 2003; Becker et al., 2008; Bocklandt & Vilain, 2009; Brizendine, 2006, 2010; Grgurevic & Majdic, 2016; McCarthy, 2016; McCarthy et al., 2012; McCarthy et al., 2015; Savic, 2010), a tese determinista afirmava que o gênero era produto do cérebro (Bao & Swaab, 2011; Burke et al., 2017; Hines, 2004). A origem de tais diferenças foi atribuída à testosterona (Baron-Cohen, 2003; Hines et al., 2016; McEwen & Milner, 2017; Van Anders et al., 2015). Isso se respaldou em evidência clínica que revelou que as meninas com maiores níveis de tal hormônio mostram maior interesse por atividades tipicamente masculinas (Chowdhury et al., 2015; Hines et al., 2015; Khorashad et al., 2018; Razzaghy-Azar et al., 2017).
Para tal enfoque, essas diferenças biológicas determinam as diferenças em escolha de brinquedos (Alexander et al., 2009; Auyeung et al., 2009; Todd et al., 2017), habilidade matemática (Geary, 1996), orientação espacial (Lippa et al., 2010), interesse profissional (Lippa, 2010), personalidade (Del Giudice et al., 2012), escolha de parceiro (Conroy-Beam et al., 2015) e diversos traços cognitivos (Halpern, 2012; Lippa, 2008; Miller & Halpern, 2014). Muitas de tais diferenças se observam em outras culturas (Lippa et al., 2010; Löckenhoff et al., 2014; Schmitt et al., 2008) e inclusive em primatas (Alexander & Hines, 2002; Hassett et al., 2008). Isso permitiu concluir que as diferenças de gênero eram produto da evolução biológica por seleção natural (Alexander, 2003; Browne, 1998; Cahill, 2014a; Eagly & Wood, 1999).
Uma disciplina que apoiou o determinismo foi a psicologia evolucionista. Inspirando-se na sociobiologia, aquele programa afirmou que as diferenças psicológicas e condutuais entre homens e mulheres eram produto da evolução biológica por seleção natural (Buss, 1989; Cronk, 2007; Geary, 2021; Pinker, 2002; Stewart-Williams & Thomas, 2013). Aqueles estudos também postularam que a identidade de gênero tinha uma base biológica (Fisher & Cocchetti, 2020; Polderman et al., 2018; Roselli, 2018; Saraswat et al., 2015). Tudo isso consagrou a postura de que o gênero, ao ser algo biológico, era um elemento chave para a neurociência (Cahill, 2006; Gong et al., 2011). Aquele panorama impulsionou grandes debates que perduram até hoje e discutem se as diferenças de gênero são produto da evolução.
Apelando àquela evidência, o construtivismo foi acusado de conter argumentos ideológicos, sobretudo por seu vínculo com marcos irracionalistas como o pós-modernismo (Lehmann, 2014; Morales, 2017). Nesse contexto, o feminismo também foi criticado por se afastar das ciências biológicas e da teoria evolucionista (Kuhle, 2012; Monasterio, 2014; Smith & Konik, 2011). A difusão do debate em blogs e redes sociais fez com que os argumentos se misturassem com discursos antifeministas (Iglesias, 2017; Mali, 2017; Soh, 2017; Solá, 2022), misoginia (Bachaud & Johns, 2023) e acusações de sexismo (Baron-Cohen, 2010a). A publicação de best-sellers de divulgação científica popularizou tal enfoque na sociedade civil (Baron-Cohen, 2003; Brizendine, 2006, 2010; Cronin, 1991; Pinker, 2002; Pinker, 2008).
Para tal enfoque, as diferenças de gênero não são produto da cultura (socialização), mas sim da biologia, são escolhas individuais determinadas por fatores biológicos como a testosterona. Assim, o determinismo biológico explica fenômenos sociais, como as brechas de gênero, apelando à evolução biológica por seleção natural (Morales, 2024b). Aplicado ao gênero, tal enfoque propõe que as brechas de gênero em preferência de brinquedos ou escolha de carreiras científicas são produto de diferenças biológicas causadas pela testosterona (Morales, 2023a, 2023b, 2024b). Pela simplicidade de tal argumento, as críticas não tardaram. Mas desta vez elas não vieram da parte de cientistas sociais, e sim da própria neurociência.
A crítica neurofeminista
Boa parte do enfoque determinista se baseou nos estudos de Baron-Cohen (2003, 2005) sobre o impacto da testosterona nas diferenças cerebrais entre homens e mulheres que, finalmente, moldam suas diferenças psicológicas e condutuais (o gênero). De fato, a ideia central da obra de Baron-Cohen (2003) foi que o cérebro feminino está predominantemente conectado para empatizar, enquanto o cérebro masculino o está para entender e construir sistemas. Entretanto, tal como o determinismo biológico foi influente, também foi muito criticado. As primeiras objeções destacaram a presença de vieses de gênero na construção de seu desenho metodológico.
Por exemplo, Eliot (2009) criticou que os experimentadores dos estudos realizados com bebês conheciam seu sexo, o que pode ter influenciado a obtenção das respostas. Da mesma forma, em uma de suas obras mais populares, Fine (2010a) criticou o emprego de autorrelatos (como o Empathy Quotient ou o Systemizing Quotient) cujas perguntas, sobre nossa capacidade para nos preocuparmos com os demais ou resolver problemas elétricos em casa, podiam obter respostas baseadas não na presença de habilidades reais, mas sim em nossas percepções subjetivas sobre tais habilidades. Aquele cenário de crítica metodológica deu lugar a um dos debates mais complicados sobre o conceito de gênero.
Em sua resenha da obra de Fine (2010a), Baron-Cohen (2010b) postulou que ela destaca de forma correta a relevância de fatores psicológicos e sociais no gênero, mas se equivoca ao impulsionar um determinismo sociológico extremo que promove uma “negação estridente e extrema do papel que a biologia poderia desempenhar em dar lugar a qualquer diferença sexual na mente e no cérebro” (p. 904). Em sua réplica, Fine (2010b) indicou que o impacto da biologia na conduta não estava claro, já que “os resultados espúrios, metodologias deficientes e supostos não provados significam que ainda não sabemos se, em média, homens e mulheres nascem com uma predisposição diferente para sistematizar versus empatizar” (p. 948).
Aquele debate acabou, por um lado, com a afirmação de que tal obra era “antibiológica” (Baron-Cohen, 2011) e, por outro, com a objeção de que os estudos deterministas possuem vieses políticos e de gênero (Fine, 2011). Em outra de suas obras mais importantes, Fine (2017) reuniu múltipla evidência científica que questionou que a testosterona cause as diferenças psicológicas e condutuais entre sexos, objetando a ideia de que o gênero está determinado pela biologia. O problema com a testosterona é certamente relevante. Como se pôde ver, o enfoque determinista refere-se a ela continuamente para explicar as diferenças de gênero. Todavia, tal como indicam diversas pesquisas, o impacto de tal hormônio na conduta não é direto (Morales, 2024c).
Os estudos de Sapolsky (1997) com primatas analisaram o vínculo entre testosterona e conduta e revelaram que o entorno social era chave no tipo de resposta condutual. Em humanos, o entorno cultural é mais determinante ao fazer com que a testosterona impulsione as condutas que foram socialmente preestabelecidas como condição para ganhar dominância e status (Morales, 2024c). Em boa medida, o neurofeminismo apreende tais resultados para explicar por que as mulheres com maiores níveis de testosterona costumam preferir atividades tipicamente masculinas, já que nossa sociedade tipifica o masculino como signo de dominância e status (Fine, 2017; Rippon, 2018a). Portanto, o que explica as diferenças de gênero em última instância seria o entorno cultural, não a biologia.
Outras críticas foram as de Rippon (2017), quem afirmou que a cultura, não a biologia, é a causa de muitas diferenças de gênero. Isso se respaldou na hipótese evolucionista de que certos fatores ambientais e culturais restringem a variabilidade da conduta sexual e impulsionam em seu lugar uma socialização binária que corresponde com os papéis de gênero (Fine et al., 2017). Outros estudos também evolucionistas criticam que homens e mulheres sejam promíscuos e submissas respectivamente por motivos biológicos (Fine & Elgar, 2017). Por outro lado, Rippon (2018a, 2018b) também mencionou que as diferenças em sistematização e empatia, que não são absolutas, explicam melhor a variação de traços autistas do que o sexo do indivíduo. Isso implica que o sexo biológico não está tão vinculado à diferenciação cerebral como propôs o enfoque determinista.
Tais críticas e outras consolidaram um marco que objeta a tese determinista de que as diferenças de gênero são produto de diferenças cerebrais inatas que depois se refletem na conduta observável (Carothers & Reis, 2013; Dussauge & Kaiser, 2012; Fine, 2010c, 2017; Fine et al., 2013; Fisher, 2011; Fisher, 2018; Rippon et al., 2014; Rogers, 2011; Sutton, 2010; Vidal, 2005). Tal marco é o neurofeminismo (Bluhm et al., 2012; Hoffman & Bluhm, 2016; Reverter-Bañón, 2017; Schmitz & Höppner, 2014). Apoiando-se na biologia feminista e sua crítica à biologização do gênero (Fisher, 2018), o neurofeminismo qualifica de neurossexismo aqueles estudos que justificam as desigualdades sociais de gênero apelando às diferenças cerebrais entre sexos (Eliot, 2019; Fine, 2008, 2010a, 2012, 2013; Hoffman & Bluhm, 2016; Rippon, 2016).
A ideia central do neurofeminismo é que muitas diferenças cerebrais observadas entre homens e mulheres não são a causa das diferenças de gênero, mas sim sua consequência, isto é, produto da socialização (Fine, 2010a; Jordan-Young, 2010; Rippon, 2018b). Em grande medida, isso se apoia no fato de que muitos estudos neurológicos que defendem enfoques deterministas são realizados com população adulta altamente socializada. Por isso, em lugar de mostrar diferenças cerebrais inatas (e produto da evolução por seleção natural), tais estudos teriam registrado o efeito da socialização na criação de tais diferenças. Isso também se mostra em estudos psicológicos.
Por exemplo, a cognição espacial, um tópico muito citado, pode se alterar após dirigir automóvel (Maguire et al., 2000) ou jogar videogames (Feng et al., 2007) durante um tempo determinado. Por outro lado, diversos estudos revelam que não há diferenças inatas (biológicas) em habilidade matemática (Kersey et al., 2018; Spelke, 2005), já que ela depende de fatores sociais e culturais (Halpern et al., 2007). Em outros tópicos, como as brechas em preferência de brinquedos (tipificados como masculinos ou femininos) ou escolha de carreiras científicas e tecnológicas (consideradas para homens), o ponto chave não é a testosterona ou o cérebro, mas sim a influência dos estereótipos, os papéis de gênero, a criação, a ideologia política ou a publicidade (Morales, 2023a, 2023b).
Cérebros masculinos e femininos?
Em um estudo pioneiro, Joel (2011) postulou que os cérebros de homens e mulheres não são dimórficos, mas sim monomórficos. Tal hipótese recebeu maior atenção quando um novo estudo analisou mais de 1400 cérebros e concluiu que a maioria são mosaicos compostos de traços masculinos e femininos (Joel et al., 2015). Tal tese apelou a uma falta de consistência interna (já que apenas uma minoria são cérebros tipicamente masculinos e femininos) que debate a tese dimórfica. Pelo caráter de sua proposta, tal estudo recebeu críticas que asseguravam poder identificar os cérebros de homens e mulheres com uma precisão estatística maior que 90% (Chekroud et al., 2016; Del Giudice et al., 2016; Glezerman, 2016; Rosenblatt, 2016; Schmitt, 2015).
Não obstante, os autores do estudo contestaram as críticas e afirmaram que as diferenças cerebrais entre sexos não permitem reconhecer dois tipos diferentes de cérebro capazes de determinar as diferenças de gênero (Joel & Tarrasch, 2014; Joel et al., 2016a; Joel et al., 2016b; Joel et al., 2018). Este debate não trata sobre se há diferenças cerebrais entre sexos (elas existem e o neurofeminismo as admite), mas sim sobre sua solidez. A hipótese do cérebro mosaico propõe que as diferenças cerebrais entre sexos não mostram a consistência interna suficiente para classificar o cérebro humano em dois tipos distintos (masculino e feminino). Portanto, o cérebro não seria dimórfico, mas sim monomórfico (Joel, 2021; Joel & Vikhanski, 2019). Em mais de um século de pesquisa, os cientistas não encontraram diferenças cerebrais importantes (Berkowitz, 2020).
Tal hipótese também se apoia na evidência de que homens e mulheres são similares na maioria dos traços psicológicos, o que os torna mais parecidos do que distintos (Hyde, 2005). Isso permite estabelecer que as diferenças de gênero não são categóricas, mas sim dimensionais (Reis & Carothers, 2014). Atualmente, a hipótese do cérebro mosaico forja uma nova neurociência do sexo/gênero que critica a existência de diferenças essenciais ao conceber o cérebro como um contínuo de traços masculinos e femininos (Ciccia, 2018, 2021; Eliot et al., 2021; Joel, 2016; Joel & Fausto-Sterling, 2016; Joel & Fine, 2018; MacLellan, 2022; Rippon, 2015; Zhang et al., 2021).
Evidentemente, tal hipótese junto ao neurofeminismo geraram amplo debate. Para alguns, tal enfoque nega as diferenças cerebrais entre sexos em uma tentativa de negar a influência da biologia nas diferenças de gênero (Cahill, 2011, 2014b, 2019). Todavia, aquela proposta não nega o impacto do sexo ou dos hormônios no cérebro (portanto, não nega as diferenças cerebrais entre sexos), mas sim propõe como a socialização molda tal processo (Fine & Jordan-Young, 2017; Fine et al., 2014). Isso implica que as diferenças cerebrais entre homens e mulheres não determinam suas diferenças psicológicas e condutuais, isto é, a biologia não determina o gênero.
Embora o debate continue, certo consenso afirma que a pesquisa neurocientífica deverá cumprir dois objetivos para alcançar uma maior compreensão do cérebro e seu impacto na conduta: integrar os âmbitos biológico e cultural (Eagly & Wood, 2013) e superar o binarismo sexual (Hyde et al., 2018). Isso tem grandes implicações no estudo do gênero. Recentemente, alguns estudos indicam que, embora existam muitas diferenças cerebrais entre sexos, elas não explicam por que homens e mulheres pensam e atuam de maneira distinta (DeCasien et al., 2022; Hines, 2020; Mitchell, 2019). A respeito disso, as ciências biológicas vêm confirmando o que foi dito por cientistas sociais, mas desta vez com a confiança de ter analisado devidamente o peso da biologia.
O descrito anteriormente representa o estado atual do debate. Como se pode ver, o estudo do gênero se realiza não apenas a partir da psicologia e das ciências sociais, mas também a partir da neurociência e da própria teoria evolucionista. Por isso, é idôneo que os cientistas que estudam aquele tópico possam superar os limites disciplinares para apreender a complexidade de um tema que não se limita a marcos construtivistas ou técnicas qualitativas. Este preceito cobra maior importância no caso da antropologia, a qual se considera a ciência do humano por excelência. Em um princípio, a antropologia integrou os domínios biológico e cultural no estudo da conduta humana. Contudo, nas últimas décadas, tal integração se converteu em um cisma que merece solução.
Conclusão: Uma nova ciência do gênero
Ainda que os antropólogos que estudaram o gênero no século XX não tenham empregado teoria construtivista, atualmente este marco faz parte do estudo do gênero (Aixelà, 2005; Lamas, 2013; Martín, 2008; Moncó, 2011; Morris, 1995). Isso trouxe críticas que acusam os estudos de gênero de defender ideias antibiológicas e questionam seu caráter científico (Morales, 2017, 2018). Para evitar tal situação, é necessário consolidar uma ciência do gênero que enfatize o estudo da cultura, não para rejeitar a biologia, mas para apreendê-la e, assim, fechar a brecha entre ambos os domínios (Kuper & Marks, 2011). Este novo enfoque permitirá desenvolver uma concepção integral do gênero que compreenda cultura e biologia, recuperando sua base epistemológica. As descobertas que diversos estudos científicos vêm obtendo ao longo do tempo nos conduzem por tal caminho.
Desvelar o aspecto cultural do gênero é fundamental para explicá-lo cientificamente. Mas isso não implica que seu estudo deva se isolar das ciências biológicas. Tanto a antropologia como a biologia feminista não temeram dialogar com a biologia ou a evolução humana, já que isso lhes permitiu estabelecer que os fatores biológicos não eram tão relevantes como se acreditava. Para discutir o impacto da biologia, é necessário apreendê-la. Em um caso elucidativo, foi considerando a presença da herança genética (não a rechaçando) que hoje se afirma que a cultura, não a biologia, é a principal condutora da evolução humana (Henrich, 2016). Este marco, chamado evolução cultural, rivaliza com a sociobiologia e a psicologia evolucionista, que reduzem as diferenças de gênero à biologia (Morales, 2024b), e já foi referido para uma nova perspectiva sobre o gênero (Fine, 2023).
O conceito de gênero costuma ser sinônimo de papéis de gênero e identidade de gênero. A cultura determina os primeiros, enquanto são normas sociais, e influi no segundo ao estabelecer quais atividades se consideram masculinas ou femininas em determinada sociedade. Embora os papéis de gênero não tenham elementos biológicos, a identidade de gênero contém uma base biológica que reúne aspectos genéticos, hormonais e neurológicos e influi na conduta, particularmente de indivíduos trans e intersex (Fisher & Cocchetti, 2020; Polderman et al., 2018; Roselli, 2018; Saraswat et al., 2015). Por isso, em lugar de ser uma construção, o gênero é algo que compreende cultura e biologia. Oposto ao construtivismo que rechaça a influência de fatores biológicos, esta nova perspectiva incorpora a biologia para discuti-la sem esquecer a primazia (inclusive evolutiva) da cultura.
É correto que uma renovada ciência do gênero tenha por objetivo romper com os paradigmas binaristas, essencialistas e biologicistas da conduta humana, já que não há causalidade direta entre sexo e gênero (Martín, 2008; Moncó, 2011). Todavia, uma ciência do gênero baseada em evidência não deve negar a influência de fatores biológicos. É assim que nos damos conta de que, embora não tenha lugar na instituição dos papéis de gênero, a biologia sim desempenha um papel na constituição da identidade de gênero, isto é, na autoidentificação individual com respeito a tais papéis. Desde os aportes de Money (1988) e Stoller (1984), isso tem grandes implicações no estudo da condição trans (Bevan, 2015). Portanto, a influência da biologia, ainda que moldada pela cultura, faz parte do estudo do gênero.
Pela qualidade de suas descobertas, uma nova ciência do gênero deve se vincular às ciências biológicas em lugar de rechaçá-las (Boscán, 2015) e evitar a ingerência de ideologias políticas que distorçam o debate (Eagly, 2018; Gorelik, 2017). Foi considerando a biologia que diversos estudos constataram que atuar conforme os papéis de gênero ativa os circuitos de recompensa do cérebro, o que contribui para que homens e mulheres continuem seguindo tais papéis (Losin et al., 2012; Soutschek et al., 2017). Da mesma forma, foi considerando a biologia que se constatou que as diferenças físicas, psicológicas e condutuais entre sexos tendem a crescer por impacto de fatores sociais (Galinsky et al., 2024; Halsey & Geary, 2025). Hoje, marcos como o neurofeminismo ou a evolução cultural são chave para todo estudioso do gênero. Apenas a partir de uma perspectiva holística uma nova ciência do gênero poderá entender a complexidade de seu objeto e evitar os determinismos (Rogers, 2010).
Mediante uma leitura crítica de estudos realizados em múltiplas disciplinas, o presente artigo analisou os debates sobre o conceito de gênero e propôs desenvolver uma nova ciência do gênero vinculada às ciências sociais, biológicas e evolucionistas. Como ponto final, resta reconhecer que integrar sexo e gênero não implica ocultar suas diferenças, já que ambos remetem a fenômenos distintos (Muehlenhard & Peterson, 2011). Embora a biologia não seja relevante para compreender os papéis de gênero ou os fenômenos sociais, ela é sim chave para explicar a identidade de gênero. Isso não implica voltar ao determinismo biológico, mas sim defender a realidade empírica da conduta humana. Isso é chave para entender a transgeneridade, a transexualidade, a intersexualidade e o sexo, os quais não são construções culturais.
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