A medicina no Brasil está sendo apunhalada quando mais precisamos dela

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Créditos: Pedro Ladeira / Folhapress.

Que o presidente Jair Bolsonaro é negacionista da ciência, todos nós, há muito tempo, sabíamos. A maior prova foi sua defesa da fosfoetanolamina e, inclusive, autoria de projeto de lei para seu uso, como suposto tratamento de câncer, sem que ao menos soubesse o método da pesquisa científica. Durante sua campanha eleitoral, fez questão de reiterar que suas indicações não seriam políticas, e sim técnicas, com um discurso simples e convincente, mas que já saberíamos que, no futuro, não iria se concretizar.

Bolsonaro surgiu no Brasil no momento mais errado possível: aquele que mais precisamos da ciência em nosso favor. A pandemia de COVID-19 está assolando países e provocando mortes em todo o mundo. Medidas extremamente simples poderiam contê-la, como o isolamento social, e as evidências demonstram que esse é o melhor caminho. Mas o presidente não quer saber de evidências, se é que conhece o significado do termo.

Atualmente, ele tem feito defesas absurdas, mas não surpreendentes, que contrapõem todo o conhecimento científico. O homem, que já tinha um status vergonhoso internacionalmente, consolida sua posição de mau gestor diante do mundo, pelo simples fato de insistir em contrapor-se ao óbvio. Várias revistas científicas e líderes políticos já demonstraram publicamente sua decepção, mas não adianta muito, pois, aparentemente, esse é o combustível para que o presidente continue sendo praticando aberrações contra a ciência.

Nosso líder blinda com um discurso raso sua opinião de que o isolamento social é maléfico e a hidroxicloroquina é benéfica. Com um tom simplista e superficial, as declarações convencem boa parte da população de que o que está fazendo é correto, porém, são néscias o suficiente para conflitarem com seus próprios Ministros da Saúde, que pediram demissão recentemente, por não conseguirem lidar com o duro fato da verdade perder a luta contra o poder.

Todos nós já conhecemos as consequências do negacionismo científico. Um grande exemplo é o da volta de doenças como sarampo a partir da crença de que vacinas causam autismo. A negação da ciência é natural para quem não é familiarizada com ela (o que, de forma alguma, a justifica), mas a partir do momento que custa vidas, vai além do mero desacordo; torna-se uma infração à moral, à ética e à existência humana. Nessa ocasião, ela deve ser tratada com a firmeza que se trata um crime contra o povo.