As rainhas do jogo dos reis: conheça as Beth Harmon da vida real

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“Nós, mulheres, não temos passado no xadrez. Mas temos presente e futuro!” — Vera Menchik

A Dama é a peça mais poderosa do xadrez, mas apenas um punhado de mulheres obteve tanta popularidade e fãs quanto os homens. Embora o xadrez seja há muito dominado por jogadores do sexo masculino, o xadrez foi um passatempo popular das mulheres da classe alta desde a Idade Média até o século XVIII, incluindo a Rainha Elizabeth I e Maria, Rainha da Escócia. No entanto, uma mulher só receberia o título de Grande Mestre pela primeira vez no final dos anos 1970.

É bem provável que a maioria dos jogadores de xadrez famosos de que você já ouviu falar sejam homens, mas na verdade existem muitas jogadoras fortes que deixaram sua marca no jogo à sua maneira. Beth Harmon, da série original da Netflix O Gambito da Rainha, não é uma jogadora de xadrez da vida real, mas houve várias Grandes Mestres do sexo feminino ao longo dos anos.  Este artigo irá apresentá-lo a seis das melhores jogadoras de xadrez de todos os tempos. Todas elas ganharam torneios internacionais abertos ou derrotaram um campeão mundial e, na maioria dos casos, ambos. Suas realizações as tornaram ícones do jogo e suas partidas estão imortalizadas nos tabuleiros de xadrez.

Vera Menchik (16/02/1906-27/06/1944)

Aos 19 anos, derrotou Edith Price, campeã britânica feminina da época, em dois matches.

Aos 21 anos, venceu o primeiro Campeonato Mundial Feminino de Xadrez, tornando-se a primeira campeã mundial feminina da história.

Aos 23 anos, dividiu o segundo lugar no Torneio de Ramsgate de 1929 com o fortíssimo Grande Mestre Akiba Rubinstein, marcando 5 pontos em 7 possíveis e terminando apenas meio ponto atrás de José Raúl Capablanca, “a máquina de jogar xadrez”.

Aos 25 anos, venceu o terceiro Campeonato Mundial Feminino de Xadrez, com uma pontuação perfeita de 8/8 (8 vitórias em 8 jogos). Ela viria a repetir tal feito mais três vezes: em Praga 1931 (14/14), Folkestone 1933 (8/8), Varsóvia 1935 (9/9) e Estocolmo 1937 (14/14).

Foi a primeira mulher a desafiar os melhores jogadores de xadrez do mundo. Entre as suas melhores partidas, destacam-se as vitórias contra Max Euwe (ex-campeão mundial), Edgard Colle (onze vezes campeão belga de xadrez), Samuel Reshevsky (oito vezes campeão americano de xadrez), Frederick Yates (seis vezes campeão inglês de xadrez),  Sultan Khan (três vezes campeão britânico de xadrez) e Sir George Thomas (duas vezes campeão inglês de xadrez). 

Foi a primeira mulher a entrar no Hall da Fama Mundial do Xadrez, e uma das doze mulheres a já receber tal honra.

É, até hoje, a campeã mundial feminina de xadrez com o reinado mais longo da história, tendo mantido o título por 17 anos (de 1927 até 1944).

É, até hoje, a maior campeã do Campeonato Mundial Feminino de Xadrez, com 8 títulos oficiais conquistados (1927, 1930, 1931, 1933, 1935, 1937 I, 1937 II e 1939).

Entre a sua primeira participação no Campeonato Mundial Feminino de Xadrez em 1927 e a sua última defesa de título em 1939, marcou 91½ pontos em 99 jogos que disputou, perdendo apenas três partidas oficiais em 12 anos.

Dá o seu nome, desde 1957, à Taça Vera Menchik, o troféu que premia o time vencedor das Olimpíadas de Xadrez Feminino da FIDE.

Nona Gaprindashvili (03/05/1941)

Aos 15 anos, venceu o Campeonato Georgiano Feminino de Xadrez de 1956, tornando-se a campeã georgiana mais jovem até então.

Aos 20 anos, venceu o Torneio de Candidatos Feminino de 1961 sem perder uma partida sequer, marcando 13 pontos em 16 possíveis (10 vitórias, 6 empates e nenhuma derrota).

Aos 21 anos, venceu o Campeonato Mundial Feminino de Xadrez de 1962 por um placar esmagador de 9 a 2 (7 vitórias, 4 empates e nenhuma derrota), tornando-se a campeã mundial feminina mais jovem até então.

Aos 22 anos, venceu o Hastings Challengers de 1963/1964, tornando-se a primeira mulher a vencer um torneio internacional de xadrez disputado por homens.

Aos 23 anos, derrotou todos os jogadores britânicos e empatou com o fortíssimo Grande Mestre Paul Keres no Hastings Premier de 1964/1965, terminando o torneio em quinto lugar.

Aos 35 anos, venceu o Lone Pine International de 1977, dividindo o primeiro lugar com os fortíssimos Grandes Mestres Oscar Panno, Yuri Balashov e Dragutin Sahovic.

Aos 37 anos, tornou-se a primeira mulher Grande Mestre, recebendo o título após incrível desempenho no torneio Lone Pine International de 1977.

Aos 45 anos, venceu todos os dez jogos que disputou na Olimpíada de Dubai em 1986, conquistando três medalhas de ouro e alcançando um rating performance de 2877, 137 pontos a frente do campeão mundial absoluto da época, Garry Kasparov.

Foi campeã olímpica vinte vezes e conquistou vinte e cinco medalhas gerais: 20 de ouro, 4 de prata e 1 de bronze.

É, até hoje, a pessoa com mais medalhas de ouro na história das Olimpíadas de Xadrez (20), tanto individuais (9), quanto por equipes (11).

É, até hoje, a maior campeã do Campeonato Soviético Feminino de Xadrez, com 5 títulos oficiais conquistados (1964, 1973, 1981, 1983 e 1985).

É, até hoje, a maior campeã do Campeonato Mundial Feminino Sênior de Xadrez, com 7 títulos oficiais conquistados (1995, 2009, 2014, 2015, 2016, 2018 e 2019).

É, até hoje, a maior campeã do Campeonato Europeu Feminino Sênior de Xadrez, com 5 títulos oficiais conquistados (2011, 2015, 2016, 2017 e 2018).

É a primeira, e até hoje única, mulher campeã mundial feminina de xadrez a também conquistar o título mundial feminino sênior. Entre os homens, apenas Vasily Smyslov, campeão mundial de xadrez de 1957 a 1958 e campeão mundial sênior em 1991, conseguiu repetir tal feito.

Dá o seu nome, desde 1998, à Taça Nona Gaprindashvili, o troféu que premia o país com o maior número total de pontos combinados entre jogadores masculinos e femininos nas Olimpíadas de Xadrez.

Maia Chiburdanidze (17/01/1961)

Aos 10 anos, venceu o Campeonato Georgiano Júnior de Xadrez de 1971, tornando-se a campeã georgiana júnior mais jovem até então.

Aos 12 anos, disputou um match contra Vlasta Maček, campeã iugoslava da época, derrotando-a por 4 a 0.

Aos 15 anos, venceu o Campeonato Soviético Júnior Feminino de Xadrez de 1976, tornando-se a campeã soviética júnior mais jovem até então.

Aos 16 anos, venceu o Campeonato Soviético Feminino de Xadrez de 1977, tornando-se a campeã soviética mais jovem até então.

Aos 17 anos, venceu o Campeonato Mundial Feminino de Xadrez de 1978, tornando-se a campeã mundial feminina mais jovem até então.

Aos 18 anos, tornou-se a mais jovem jogadora número um do mundo até então, ultrapassando Nona Gaprindashvili no ranking FIDE de janeiro de 1980.

Aos 21 anos, derrotou Vladimir Tukmakov, campeão ucraniano da época e um dos maiores jogadores de xadrez rápido de todos os tempos, sacrificando suas duas torres para desencadear um ataque imparável.

Aos 24 anos, venceu o Torneio de Banja Luka de 1985, ficando à frente de vários campeões nacionais, entre eles Nigel Short, Iván Faragó, Lev Psakhis e Dragoljub Velimirović.

Aos 25 anos, tornou-se a primeira mulher a entrar na lista de classificação dos 100 melhores jogadores da FIDE, ocupando a 77º posição no ranking FIDE de janeiro de 1987.

Aos 32 anos, venceu o Torneio Mulheres contra Veteranos de 1993, ficando à frente de vários Grandes Mestres fortíssimos do passado, entre eles Vasily Smyslov, Efim Geller, Bent Larsen e Borislav Ivkov.

É, até hoje, a pessoa com mais medalhas na história das Olimpíadas de Xadrez (26), tanto individuais (13), quanto por equipes (13).

Foi campeã olímpica catorze vezes e conquistou vinte e seis medalhas gerais: 14 de ouro, 5 de prata e 7 de bronze.

Entre a primeira rodada da Olimpíada de Buenos Aires em 1978 e a quarta rodada da Olimpíada de Novi Sad em 1990, permaneceu doze anos seguidos sem perder uma partida olímpica sequer, até ser derrotada pela campeã olímpica Susan Polgár.

Susan Polgár (19/04/1969)

Aos 4 anos, venceu o Campeonato Feminino de Xadrez de Budapeste (Sub-11), com uma pontuação perfeita de 10 pontos em 10 possíveis.

Aos 12 anos, venceu o Campeonato Mundial Juvenil Feminino de Xadrez (Sub-16), seu primeiro título mundial.

Aos 15 anos, tornou-se a mais jovem jogadora número um do mundo até então, quebrando o recorde anteriormente detido pela ex-campeã mundial feminina Maia Chiburdanidze.

Aos 17 anos, tornou-se a primeira mulher a se classificar para o ciclo do então chamado Campeonato Mundial Masculino de Xadrez, mas foi impedida de competir pela Federação Húngara de Xadrez por não ser homem.

Aos 22 anos, tornou-se a terceira mulher Grande Mestre e a primeira a conquistar o título pelos mesmos requisitos exigidos para homens (Nona Gaprindashvili e Maia Chiburdanidze haviam recebido o título anteriormente por serem campeãs mundiais femininas).

Aos 23 anos, venceu o Campeonato Mundial Feminino de Xadrez Blitz de 1992 e o Campeonato Mundial Feminino de Xadrez Rápido de 1992, tornando-se a primeira pessoa a ser campeã mundial das duas modalidades.

Aos 26 anos, venceu o Campeonato Mundial Feminino de Xadrez de 1996, tornando-se a primeira pessoa a conquistar a tríplice coroa do xadrez: os Campeonatos Mundiais Femininos nos estilos Clássico, Rápido e Blitz.

Aos 35 anos, conquistou uma medalha de prata por equipe na Olimpíada de Calvià em 2004, a primeira medalha olímpica da história da Seleção Feminina de Xadrez dos Estados Unidos.

É a primeira, e até hoje única, mulher a conquistar a tríplice coroa do xadrez: os Campeonatos Mundiais Femininos nos estilos Clássico, Rápido e Blitz.

É a primeira, e até hoje única, pessoa a conquistar as seis coroas mais prestigiadas do xadrez: os Campeonatos Mundiais Femininos Clássico, Rápido, Blitz e Juvenil, a medalha de ouro olímpica (individual e por equipe) e a classificação mundial número 1 no ranking feminino da FIDE.

Detém, até hoje, o recorde mundial de mais partidas consecutivas disputadas: 1131, contra 551 adversários (com 1112 vitórias, 16 empates e apenas 3 derrotas).

Foi campeã olímpica cinco vezes e conquistou doze medalhas gerais: 5 de ouro, 4 de prata e 3 de bronze.

Entre a sua estreia na Olimpíada de Tessalônica em 1988 e a sua despedida na Olimpíada de Calvià em 2004, nunca perdeu uma partida olímpica sequer,  vencendo 31 jogos e empatando 25.

Judit Polgár (23/07/1976)

Aos 12 anos e 3 meses, tornou-se o mais jovem Mestre Internacional até então, quebrando o recorde anteriormente detido pelo ex-campeão mundial Bobby Fischer.

Aos 12 anos e 4 meses, tornou-se a pessoa mais jovem até hoje a ser medalhista de ouro em uma Olímpiada de Xadrez, ao conquistar três medalhas de ouro na Olímpiada de Tessalônica em 1988.

Aos 12 anos e 6 meses, tornou-se a a mais jovem jogadora número um do mundo e a mulher mais jovem até hoje a entrar na lista de classificação dos 100 melhores jogadores da FIDE, ocupando a 55º posição no ranking FIDE de janeiro de 1989.

Aos 15 anos e 5 meses, venceu o Campeonato Húngaro de Xadrez de 1991 e tornou-se o mais jovem Grande Mestre até então, quebrando o recorde anteriormente detido pelo ex-campeão mundial Bobby Fischer.

Aos 16 anos, derrotou o ex-campeão mundial Boris Spassky em um match de exibição, por um placar de 5½ a 4½ (3 vitórias, 5 empates e 2 derrotas).

Aos 18 anos, venceu o Torneio Magistral de Madrid de 1994 sem perder uma partida sequer, ficando à frente de nove dos mais fortes Grandes Mestres da época, entre eles Alexei Shirov, Gata Kamsky, Valery Salov, Evgeny Bareev e Ivan Sokolov.

Aos 19 anos, tornou-se a primeira, e até hoje única, mulher a ser classificada entre os dez melhores jogadores do mundo, ocupando a 10º posição no ranking FIDE de janeiro de 1996.

Aos 21 anos, derrotou o campeão mundial FIDE da época Anatoly Karpov em um match de xadrez de “ação” (30 minutos por jogo), por um placar de 5 a 3 (2 vitórias, 6 empates e nenhuma derrota).

Aos 22 anos, tornou-se a primeira, e até hoje única, mulher a vencer o Campeonato Aberto de Xadrez dos Estados Unidos, dividindo o primeiro lugar da edição de 1998 com o Grande Mestre americano Boris Gulko.

Aos 23 anos, venceu o Torneio Japfa Classic de 2000, um dos torneios mais fortes já realizados na Ásia, sem perder uma partida sequer, ficando à frente de nove dos mais fortes Grandes Mestres da época, entre eles Anatoly Karpov, Jan Timman, Alexander Khalifman, Yasser Seirawan e Gilberto Milos.

Aos 24 anos, venceu o Festival de Xadrez Miguel Nadjorf de 2000 sem perder uma partida sequer, ficando à frente de oito dos mais fortes Grandes Mestres da época, entre eles Anatoly Karpov, Nigel Short, Rafael Leitão e Gilberto Milos.

Aos 26 anos, tornou-se a primeira, e até hoje única, mulher a vencer uma partida contra um jogador número um do mundo, derrotando Garry Kasparov no match entre a Rússia e o Resto do Mundo, em setembro de 2002.

Aos 29 anos, tornou-se a primeira, e até hoje única, mulher a competir pelo título mundial absoluto, ao disputar a fase final do Campeonato Mundial de Xadrez FIDE de 2005.

É a primeira, e até hoje única, mulher a ultrapassar 2700 pontos de rating, atingindo uma classificação de pico de 2735 pontos nos rankings FIDE de julho e outubro de 2005 e ocupando a 8º posição nos rankings FIDE de abril, julho e outubro de 2005.

É a primeira, e até hoje única, mulher a vencer o Campeonato Mundial Juvenil Absoluto de Xadrez, nas categorias Sub-12 (em 1988) e Sub-14 (em 1990).

É a única mulher a derrotar onze atuais ou ex-campeões mundiais no xadrez clássico: Magnus Carlsen, Anatoly Karpov, Garry Kasparov, Vladimir Kramnik, Boris Spassky, Vasily Smyslov, Veselin Topalov, Viswanathan Anand, Ruslan Ponomariov, Alexander Khalifman e Rustam Kasimdzhanov.

Foi a jogadora número um do mundo de janeiro de 1989 até 13 de agosto de 2014, quando se aposentou das competições oficiais.

Foi campeã olímpica cinco vezes e conquistou oito medalhas gerais: 5 de ouro, 2 de prata e 1 de bronze.

Após a sua derrota para Nona Gaprindashvili na Olimpíada de Novi Sad em 1990, permaneceu 22 anos sem perder uma partida clássica de xadrez para uma jogadora feminina, até ser derrotada pela campeã mundial feminina da época Hou Yifan no Festival Internacional de Xadrez de Gibraltar de 2012.

Hou Yifan (27/02/1994)

Aos 9 anos, venceu o Campeonato Mundial Juvenil Feminino de Xadrez (Sub-10), seu primeiro título mundial.

Aos 12 anos e 1 mês, se classificou à fase eliminatória do Campeonato Mundial Feminino de 2006, tornando-se a jogadora mais jovem até hoje a participar do Campeonato Mundial Feminino.

Aos 12 anos e 4 meses, conquistou duas medalhas de bronze e uma de prata na Olimpíada de Torino em 2006, tornando-se a mais jovem medalhista da história das Olimpíadas de Xadrez.

Aos 13 anos, venceu o Campeonato Chinês Feminino de Xadrez de 2007, tornando-se a mais jovem campeã chinesa feminina até hoje.

Aos 14 anos e 6 meses, foi vice-campeã do Campeonato Mundial Feminino de Xadrez de 2008, tornando-se a mais jovem mulher Grande Mestre até hoje e a mais jovem finalista da história dos campeonatos mundiais.

Aos 16 anos, venceu o Campeonato Mundial Feminino de Xadrez de 2010, tornando-se a mais jovem campeã mundial feminina até hoje.

Aos 17 anos, foi vice-campeã do Festival Internacional de Xadrez de Gibraltar de 2012, ficando à frente de mais de duzentos jogadores, entre eles Judit Polgár, Shakhriyar Mamedyarov, Alexei Shirov, Peter Svidler e Michael Adams.

Aos 20 anos, foi terceira colocada do Festival Internacional de Xadrez de Gibraltar de 2015, ficando à frente de mais de duzentos jogadores, entre eles Veselin Topalov, Wei Yi, Pentala Harikrishna, Peter Svidler e Richard Rapport.

Aos 21 anos, atingiu uma classificação de pico de 2686 pontos, ultrapassando o rating clássico de Judit Polgár e encerrando um reinado de 26 anos consecutivos de Judit como a jogadora com a melhor classificação do mundo.

Aos 23 anos, venceu o Festival Internacional de Xadrez de Biel de 2017, ficando à frente de nove dos mais fortes Grandes Mestres da época, entre eles Etienne Bacrot, Pentala Harikrishna, Ruslan Ponomariov, Péter Lékó, Alexander Morozevich e David Navara. 

Na sétima rodada do Festival Internacional de Xadrez de Gibraltar de 2012, tornou-se a primeira jogadora feminina, desde 1990, a derrotar Judit Polgár em uma partida clássica de xadrez, quebrando uma invencibilidade de 22 anos.

Nas primeiras rodadas do GRENKE Chess Classic de 2017, derrotou Fabiano Caruana, segundo melhor jogador do mundo da época, e empatou com Magnus Carlsen, campeão mundial da época. (Um ano depois, ambos se enfrentariam no Campeonato Mundial de Xadrez de 2018).

Foi campeã olímpica duas vezes e conquistou doze medalhas gerais: 2 de ouro, 6 de prata e 4 de bronze.

É, até a data da publicação desse artigo, a jogadora número um em todas as modalidades do xadrez: clássico (2658), rápido (2621) e blitz (2601).

Curiosidades extras sobre a série:

Embora a própria Beth possa não ser real, sua árdua batalha contra o sexismo é muito real

No início da série, vemos os organizadores do torneio zombar de Beth, tentando dissuadi-la de competir. Em sua primeira luta no Campeonato Estadual de Kentucky, Beth enfrenta a única outra competidora, que explica que as mulheres devem competir entre si antes de poderem competir com os homens. Essa atitude sexista era onipresente na época, atingindo até mesmo e especialmente os escalões superiores do esporte, com os principais luminares do xadrez insistindo que as mulheres nunca escalariam as mesmas alturas que os homens. Em uma entrevista de 1963, Bobby Fischer disse que as jogadoras são “terríveis”, com a provável explicação de que “elas não são tão espertas”.

Até o Campeonato Mundial de Xadrez de 1986, quando Susan Polgár lutou para se classificar e remover a palavra “masculino” do título, o campeonato era aberto apenas para competidores do sexo masculino. Mais de três décadas depois, apenas uma mulher já competiu pelo título do campeonato: Judit Polgár, que, em 2005, competiu bravamente, mas não conseguiu levar o prêmio principal.

A próxima Beth Harmon pode ser você

Embora O Gambito da Rainha não faça rodeios ao descrever as lutas de Beth para superar o sexismo inerente ao esporte, a série também postula que uma campeã feminina pode ser abraçada em todo o mundo, com Beth amada por fãs apaixonados em todos os lugares, de Paris a Moscou. Ao escrever o romance, Tevis vislumbrou um futuro mais brilhante para o xadrez, onde o respeito pudesse ser concedido às jogadoras e a igualdade governasse um dia.

A história de Beth pode ser ficção, mas isso não significa que não existam mulheres reais que possam dominar o esporte. Na verdade, existem atualmente 38 mulheres classificadas como Grande Mestres, e não há como dizer quantas mais estão em formação. Claro, não há uma “Beth Harmon da vida real” agora, mas provavelmente ela está lá fora – talvez até treinando em um porão de orfanato com um zelador, apenas se preparando para nocautear todo mundo.

Alguns feitos notáveis da carreira de Elizabeth Beth” Harmon (02/11/1948):

Aos 10 anos, derrotou todos os doze membros do clube de xadrez da Duncan High School em partidas simultâneas.

Aos 14 anos, venceu o Campeonato Estadual de Xadrez de Kentucky de 1963, derrotando jogadores fortíssimos como Townes (1724 pontos de rating), Sizemore (2050 pontos de rating) e Beltik (2150 pontos de rating e campeão estadual da época). 

Aos 15 anos, venceu o Torneio de Cincinnati de 1963, derrotando na final o fortíssimo Mestre Americano Rudolph.

Aos 17 anos, foi vice-campeã do Mexico City Invitational de 1966, derrotando os fortíssimos Grandes Mestres Georgi Girev (da União Soviética), Octavio Marenco (da Itália) e Diedrich (da Áustria).

Aos 18 anos, venceu o Campeonato de Xadrez dos Estados Unidos de 1967, derrotando na final o fortíssimo Grande Mestre Benny Watts (campeão americano da época).

Aos 19 anos, foi vice-campeã do Paris Invitational de 1967, derrotando os fortíssimos Mestres Internacionais A. Bergland (da Noruega), P. Darga (da França), S. Malovicz (da Iugoslávia) e R. Uljanov (da União Soviética).

Aos 20 anos, venceu o Moscow Invitational de 1968, derrotando todos os Grandes Mestres mais fortes do mundo – Hellstrom (da Suécia), Duhamel (da França), Flento (da Itália), Laev e Shapkin (da União Soviética) – e dois campeões mundiais – Luchenko (ex-campeão mundial) e Borgov (campeão mundial da época), ambos da União Soviética.

Entre a primeira partida do Campeonato Estadual de Xadrez de Kentucky de 1963 e a final do Campeonato de Xadrez dos Estados Unidos de 1966, permaneceu três anos seguidos sem perder uma partida sequer, até ser derrotada pelo campeão americano Benny Watts.

De novembro de 1963 a dezembro de 1966, perdeu apenas três partidas oficiais: a final do Campeonato de Xadrez dos Estados Unidos de 1966 (para Benny Watts) e as finais do Mexico City Invitational de 1966 e do Paris Invitational de 1967 (para Borgov).

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